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Fatos ou mitos? Cinco dados incríveis sobre migrantes no México

09/06/2017
A maior rota migratória do mundo? São todos migrantes econômicos? A violência em Honduras, Guatemala e El Salvador é como uma guerra? Todas as respostas
Fatos ou mitos? Cinco dados incríveis sobre migrantes no México

Foto: Christina Simons

1) Todos os anos, meio milhão de pessoas chega ao México fugindo da pobreza e da violência: FATO

A maioria foge dos países centro-americanos que formam a região conhecida como o Triângulo Norte da América Central: Guatemala, El Salvador e Honduras.

2) Todos os migrantes que chegam ao México são migrantes econômicos: MITO

O nível de violência que a população desses países centro-americanos vivencia não é diferente de viver uma guerra.

“A violência implacável e o sofrimento emocional pelos quais essas pessoas passam não é diferente do que experimentam as populações que se encontram em zonas de conflito onde trabalhamos durante décadas”, afirma Bertrand Rossier, coordenador-geral de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no México.

“Assassinatos, sequestros, ameaças, recrutamento por agentes armados não estatais, extorsões, violência sexual e desaparecimento forçado são realidades próprias de uma guerra, mas também são situações que as pessoas vindas da região da América Central estão sofrendo”.

As taxas de morte violenta mais recentes de El Salvador são mais elevadas que aquelas de todos os países que sofrem com conflitos armados na atualidade, à exceção da Síria.

“Brincar com o medo da opinião pública e tratar essas pessoas apenas como um assunto econômico ou de segurança é ter uma perspectiva limitada da realidade. Estamos diante de uma crise humanitária, é inevitável colocar em curso uma ação coordenada e urgente que garanta que as pessoas em trânsito fiquem a salvo da violência e da perseguição e recebam proteção internacional ao invés de mais violência. Além disso, que sejam tratadas com dignidade e humanidade”.

3) A maioria das pessoas que fogem da violência na América Central não receberá asilo nos Estados Unidos ou no México: FATO

Apenas 13% dos solicitantes recebe proteção internacional nos Estados Unidos. Quase 98% dos cidadãos do Triângulo Norte da América Central detidos pelas autoridades mexicanas de imigração em 2015 foram deportados. 

“Tentar deter a migração reforçando as fronteiras nacionais e aumentando o número de detenções e deportações – como vimos no México e nos Estados Unidos –, ignora uma crise humanitária real e não freia o contrabando e o tráfico”. “São estratégias que têm consequências terríveis na vida e na saúde das pessoas em trânsito”, acrescenta o coordenador-geral de Médicos Sem Fronteiras no México.

Apelamos aos governos da região – em especial aos do México, Canadá e Estados Unidos – para que garantam alternativas às detenções e adotem os princípios de não expulsão. Esses países deveriam aumentar suas cotas formais de reassentamento e reunificação familiar, de modo que as pessoas procedentes do Triângulo Norte da América Central que requerem proteção internacional, incluindo asilo, possam parar de colocar em risco sua saúde e sua vida.

4) Uma vez no México, os migrantes que fogem da violência estão seguros: MITO

Dois terços dos pacientes atendidos por MSF foram vítimas de violência enquanto atravessavam o México. Muitos migrantes nos informaram da violência perpetrada por gangues, grupos de crime organizado ou pelas próprias autoridades mexicanas. Por medo da deportação, muitos não buscam a ajuda médica que necessitam.

5) A rota migratória do México é o maior corredor migratório do mundo: FATO

Dentre os migrantes tratados por MSF nesta rota, 92% foi vítima de violência. Um em cada 10 migrantes recebe diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático. 

Um terço das nossas pacientes sofreu abusos sexuais.



Desde 2012, Médicos Sem Fronteiras (MSF) leva atenção médica e de saúde mental no México a migrantes e refugiados de Honduras, Guatemala e El Salvador. MSF adaptou sua estratégia de ação a medida em que a crise foi avançando e se modificando: desde o trabalho realizado em abrigos de migrantes e em clínicas móveis ao longo das linhas férreas, em várias localizações na rota de migrantes e no centro para vítimas de violência extrema na Cidade do México. Esse centro abriu em 2016 como última estratégia para responder às necessidades médicas e humanitárias das pessoas em trânsito.

Confira nosso relatório “Forçados a Fugir do Triângulo Norte da América Central”.