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Ebola: “A emergência não acabou e ainda não é o momento de declarar a vitória”

10/04/2015
É preciso dar continuidade ao sistema de monitoramento de saúde pública

Foto: Fabio Basone/MSF

Embora o número de pacientes de Ebola na África Ocidental tenha caído para 30 na última semana, o principal desafio para se chegar à marca de zero casos é a vigilância contínua até que os três países consigam completar os 42 dias sem novos casos. Atualmente, há 14 casos confirmados do vírus e pacientes com suspeita de infecção nos centros de tratamento da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), e, com um só caso, o surto continua. Funerais inseguros ainda acontecem e os indicadores de rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados da Guiné (48%) e de Serra Leoa (56%) permanecem inaceitavelmente baixos e sugerem possíveis redes de transmissão escondidas. Isso significa que ainda não se sabe de onde surgem metade dos casos de Ebola e não se pode considerar que a epidemia esteja sob controle.


Na Guiné, algumas comunidades ainda estão reticentes. As pessoas continuam negando que o Ebola seja real, enquanto outras acreditam que o centro de tratamento é um lugar a ser evitado a todo custo. Melhores atividades de sensibilização precisam ter continuidade e serem reforçadas.


Embora a Libéria esteja, atualmente, na contagem regressiva para atingir os 42 dias sem registro de novos casos, o país continua em risco enquanto o vírus ainda estiver vivo nos vizinhos Guiné e Serra Leoa.
A manutenção de um sistema de vigilância robusto permanece sendo vital para todos os países e todos os recursos disponíveis precisam ser enviados para investigação de casos suspeitos e resposta rápida, garantindo que a cadeia de transmissão seja rompida o quanto antes. A redução do número de casos é encorajadora, mas também é fato que os números continuam flutuando, principalmente na Guiné. A emergência não acabou e ainda não é o momento de declarar a vitória.


Além disso, com a proximidade da estação chuvosa, o acesso a cuidados de saúde e as atividades de vigilância serão dificultados por estradas inacessíveis em determinadas regiões desses países. Existe a possibilidade do irrompimento de doenças transmitidas pela água, como a cólera, que seria extremamente difícil de administrar em meio a uma epidemia de Ebola. O aumento da desnutrição também é uma preocupação, ne medida em que o período da fome – em que não há colheita – ocorre durante a estação chuvosa.
 

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