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Cresce número de vítimas de bombardeio na Nigéria

23/01/2017
Há aproximadamente 90 mortes confirmadas; residentes contam até 170
Cresce número de vítimas de bombardeio na Nigéria

Foto : Mohammed Musoke

Criança em meio à destruição do campo de Rann após bombardeio (Foto : Mohammed Musoke) O número de mortos continua a aumentar depois do terrível ataque militar contra civis em Rann, na Nigéria, de acordo com as últimas estimativas da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). Aproximadamente 90 pessoas foram mortas quando um avião da força aérea nigeriana lançou duas bombas no meio da cidade de Rann, que abriga milhares de deslocados internos. Na hora do ataque, na última terça-feira, estava acontecendo uma distribuição de ajuda. A maioria das vítimas era de mulheres e crianças.

Além do que foi testemunhado pelas equipes de MSF, informações de residentes e líderes comunitários dão conta de até 170 mortos.

“Esse número precisa ser confirmado. As vítimas desse evento terrível merecem uma prestação de contas transparente do que aconteceu e das circunstâncias em que esse ataque ocorreu. Muitos dos sobreviventes vão precisar de cuidados em longo prazo e de apoio no futuro”, disse Bruno Jochum, diretor-geral de MSF-Suíça, um dos cinco centros operacionais que fazem a gestão dos projetos da organização. “As pessoas haviam procurado segurança no que acreditavam ser um lugar protegido. Em vez disso, foram bombardeados por aqueles que deveriam protegê-los.”

A tragédia em Rann, no nordeste da Nigéria, é uma demonstração contundente da situação desastrosa no estado de Borno, onde pessoas extremamente vulneráveis estão presas num ciclo de violência diária entre os militares nigerianos e o Boko Haram. A violência intensa levou ao deslocamento de 3 milhões de pessoas nos últimos anos, uma população que precisa urgentemente de proteção e assistência.

“A população continua a pagar o preço de um conflito cruel, no qual a guerra entre o Boko Haram e os militares nigerianos frequentemente despreza a segurança de civis”, disse Jochum. “A população de Borno tem direito a garantias de proteção e assistência. Todas as partes do conflito devem garantir a segurança de civis, e nós apelamos ao governo da Nigéria para que garanta a proteção do seu povo.”

MSF começou a trabalhar na Nigéria em 1996, e é uma das poucas organizações que ainda operam em áreas de difícil acesso no país.

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