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Haiti: Resposta ao surto de cólera em Petite Riviere

Aurelie Ponthieu

Publicada em 01/11/2010

 Entrevista com a coordenadora de terreno, Aurelie Ponthieu Médicos Sem Fronteiras (MSF) está tratando mais de 100 novos pacientes por dia com sintomas de cólera em Petite Riviere, uma cidade da região de Artibonite, localizada ao norte de Porto Príncipe. Uma equipe de MSF chegou na semana passada em um centro de saúde administrado pelo governo que precisava de apoio e começou imediatamente a tratar pacientes com sintomas, inclusive diarreia aquosa. A confirmação da cólera requer testes de laboratório, mas o tratamento para cólera e diarreia aquosa é o mesmo, iniciando com reidratação. No dia 27 de outubro, 156 novos pacientes foram admitidos no centro, e 177 foram liberados. No final do dia, a equipe estava tratando 179 pacientes. Aurelie Ponthieu é coordenadora de terreno de MSF em Patite Riviere. Nessa entrevista ela explica o que a equipe está fazendo agora e quais são as preocupações caso o surto continue.

Como tem progredido o tratamento em Petite Riviere?
Aurelie Ponthieu - O tratamento está funcionando bem e temos visto muitas melhoras nos pacientes desde que viemos para cá. Nós chegamos em um centro de saúde totalmente superlotado e sobrecarregado e viemos para aliviar essa situação, mas muitos pacientes ainda precisam de tratamento.

No dia 26, nós liberamos 212 pacientes – isso é muito e é bom porque as pessoas estão vindo para o centro médico e se recuperam normalmente em dois dias. Em média, nós temos recebido cerca de 150 novos pacientes todo dia.

Na sua percepção o surto está diminuído?
Aurelie - É difícil dizer se a situação está melhorando ou piorando por que nós chegamos aqui há apenas cinco dias. Quando você abre um centro de tratamento, as pessoas começam a vir e nós não sabemos onde elas estavam antes. Então, é difícil ter uma boa análise nesse momento. Nós também ouvimos que nas áreas rurais outros centros de saúde também têm recebido casos.

Os pacientes estão chegando cedo demais para o início do tratamento?
Aurelie - Nós temos um pouco de tudo. Temos pessoas chegando em um estágio bem inicial, o que é bom. Mas nós também temos pessoas vindo tarde demais, ou seja, em um estado muito grave. Esses não são muitos – ocorreram poucas mortes desde que chegamos aqui. Mas aqueles que chegam em um estágio muito avançado precisam ser atendidos depressa.

De um modo geral, o tratamento para diarreia aquosa e para cólera são feitos com reidratação. Normalmente, se o tratamento vai bem e a pessoa não tem complicações, em dois dias a pessoa está curada e pode ir para casa. É muito rápido.

Como MSF está trabalhando com o Ministério da Saúde e outras organizações em Petite Riviere?
Aurelie - Nós viemos aqui para apoiar o Ministério da Saúde – o centro de saúde estava se encarregando desses pacientes quando chegamos. Eles estavam superlotados porque faltava pessoal e suprimentos, e alguns profissionais locais não conheciam bem os procedimentos, até porque cólera é algo relativamente novo no Haiti. Faziam mais de 60 anos que não havia casos. Então, estava claro que eles precisavam de ajuda.

Nós estamos trabalhando em colaboração com o Ministério e com parceiros, como outra organização humanitária, que estava apoiando essa unidade de saúde antes do surto. Então não estamos sozinhos aqui e a colaboração tem sido boa.

Nossa principal preocupação no momento é que esse surto, com os recursos que exige, não impeça que as pessoas recebam tratamento por outros problemas médicos. Já é muito difícil encontrar profissionais médicos para tratar pacientes, e, obviamente outras necessidades médicas continuam existindo.

Nessa clínica também existe uma maternidade, então nós estamos organizando uma área separada para pacientes com cólera ou diarreia aquosa onde poderemos oferecer tratamento, evitando um impacto negativo nas necessidades da maternidade e em outras necessidades médicas que existem na região. Esse é a nossa maior preocupação no momento: como garantir que cuidados médicos se esse surto continuar no futuro.

Quais serão as próximas atividades da equipe?
Aurelie - No momento nós estamos concentrando esforços em tratar as pessoas com sintomas de cólera. Mas a próxima prioridade é na verdade sair da cidade e ir em busca dos pacientes. Nós também vamos fazer promoção da saúde: ensinar prevenção para que as pessoas saibam como evitar a propagação da cólera e o que fazer caso apresentem sintomas. Existem outras organizações fazendo promoção da saúde agora e nós vamos tentar trocar informações com elas – tais como de onde os pacientes estão vindo, para que elas possam ir até essas comunidades. Essa troca de informações também vai nos ajudar a descobrir onde nós podemos ter um impacto.

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