Equipes médicas já fizeram mais de mil consultas; os principais problemas detectados eram relacionados a tratamentos médicos interrompidos
Clínica móvel de MSF em centro de evacuação de sobreviventes do terremoto e tsunamis no Japão. Foto: © Giulio Di Sturco/ VII mentor
5 de abril de 2011 - Uma equipe de seis psicólogos japoneses de Médicos Sem Fronteiras (MSF) começou a trabalhar com os sobreviventes do terremoto e do tsunami que atingiram o nordeste do país. MSF enviou uma equipe para a região no dia seguinte ao tremor. As equipes continuam trabalhando na região.
MSF identificou núcleos de pessoas que, apesar de todo o esforço das autoridades locais, não estavam recebendo atendimento médico, e começou a trabalhar com clínicas móveis. A principal questão médica que a equipe, formada por doze pessoas, verificou foi o tratamento de doenças crônicas para pessoas cujo tratamento foi interrompido pelos acontecimentos do dia 11 de março.
O trabalho com as clínicas móveis estavam sendo realizados em Minami Sanriku e Taro, nas províncias de Miyagi e Iwate quando uma avaliação detectou que MSF poderia colaborar com assistência psicológica.
"Apesar de algumas pessoas terem capacidade de lidar com a situação em que estão, outras não conseguem fazê-lo por conta própria", disse Ha Young Lee, coordenadora da equipe de psicólogos. "As pessoas podem ter memórias recorrentes, flashbacks e pesadelos com o que aconteceu. Elas podem se fechar, e não querer se comunicar. Algumas pessoas não estão conseguindo dormir, ou comer, e todos esses fatores podem causar sofrimento e torná-las pessoas completamente diferentes do que eram", completou.
Ha Young trabalhou com MSF após o tsunami em Banda Aceh, na Indonésia, em 2005, e com refugiados norte coreanos em Seul, na Coréia do Sul. Ela vai coordenar uma equipe de seis psicólogos da associação japonesa de psicólogos clínicos.
Inicialmente, a equipe planeja concentrar suas atividades em crianças e idosos. A primeira equipe vai ficar no local por duas ou três semanas.
"As crianças são especialmente vulneráveis. Elas têm dificuldade de entender o que está acontecendo. Há poucos espaços onde elas podem expressar suas emoções. Elas perderam seu espaço de brincar e aprender", disse Ha Young. "Nós vamos ver os tipos de mecanismo de ajuda que já foram postos em ação pelas próprias comunidades, e basear nossas atividades em função deles."
Desde o início do projeto, no dia seguinte ao terremoto e tsunami, MSF realizou mais de mil consultas médicas com os pacientes. A maioria das pessoas tinha mais de 60 anos. Os principais problemas eram hipertensão e infecções respiratórias.
MSF vai continuar a avaliação da situação nas províncias de Miyagi e Iwate, para adequar suas atividades às necessidades que se apresentarem.
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