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Yahoo notícias – 27 de julho de 2006

MSF ressaltam difícil acesso a áreas no conflito Israel-Hisbolá

BEIRUTE, Líbano (Reuters) - Grupos de ajuda humanitária não estão conseguindo, devido aos bombardeios israelenses, levar com segurança comida e alimentos para vilarejos isolados do sul do Líbano, afirmaram agências de auxílio na sexta-feira.

Um corredor humanitário permitiu aos caminhões da Organização das Nações Unidas (ONU) levar alimentos e suprimentos médicos básicos para o porto de Tiro (sul). Mas, para além desse ponto, o transporte não pode ser feito com segurança.

"Para nós, a principal questão é a impossibilidade de acesso ao sul. Essa conversa sobre um corredor humanitária não deveria esconder a situação real da região", afirmou Christopher Stokes, diretor de operações da seção belga do grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF).

"Trata-se de um tipo de álibi humanitário porque, na realidade, não contamos com um acesso humanitário real ao sul. E estamos nos iludindo, a comunidade internacional está se iludindo, se acredita que existe um corredor do tipo", acrescentou, em seu escritório, em Beirute.

Segundo autoridades libanesas, até 600 civis foram mortos nos 17 dias da ofensiva israelense, iniciados depois de a guerrilha Hizbollah, no dia 12 de julho, ter matado oito soldados de Israel e ter capturado outros dois, em uma operação realizada a partir do território libanês.

Na sexta-feira, dezenas de ataques aéreos atingiram vilarejos da área de montanha localizada atrás de Tiro, e centenas de disparos de artilharia caíram sobre a região de fronteira entre Israel e o Líbano, matando ao menos oito pessoas, contaram testemunhas.

O porta-voz em Beirute do Programa Mundial de Alimentação (WFP), Robin Lodge, afirmou que o órgão da ONU e outros grupos de ajuda não estavam conseguindo levar os suprimentos de Tiro para os vilarejos do sul.

Segundo Lodge, o melhor que poderiam fazer no momento era dizer às partes em conflito onde e quando desejavam a entrega do material de ajuda.

"Mas, por motivos de segurança, não estamos conseguindo chegar às áreas localizadas ao sul de Tiro", afirmou. "Estamos bastante cientes das carências dessa região."

SEM PASSAGEM SEGURA

A ONU estima que até 800 mil pessoas tenham sido tiradas de suas casas dentro do Líbano devido aos combates e aos bombardeios. A organização disse haver cerca de 600 escolas usadas atualmente como abrigo, com algo entre cem e 1.200 pessoas em cada escola.

"Há muitas pessoas vivendo em áreas confinadas. Isso pode levar ao aparecimento de doenças como a diarréia", disse, em Genebra, Fadela Chaib, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um soldado da força de paz da ONU estacionada no sul do Líbano (Unifil), que, nesta semana, visitou vilarejos de fronteira nos comboios de carros brancos da entidade internacional, afirmou que tirar as pessoas dessas áreas seria arriscado.

Falando sob a condição de que sua identidade não fosse revelada, o soldado, que participou de operações de retirada de pessoas da cidade fronteiriça de Rmeish, disse que os ataques israelenses, por várias vezes, tinham atingido pontos próximos dos veículos da ONU.

Segundo o militar, essas missões eram arriscadas porque os combatentes do Hizbollah aproveitavam-se da chegada de comboios da ONU como camuflagem, montando seus lançadores perto dos veículos da entidade e disparando foguetes contra Israel.

Segundo Stokes, os contatos mantidos até agora com o governo israelense para garantir a distribuição de material de ajuda não haviam sido encorajadores, significando que o acesso ao sul do Líbano era quase pior que o acesso a outras áreas de conflito, como a Chechênia.

"A situação não inspirava muita confiança lá (na Chechênia). Mas havia alguma coisa com que se podia trabalhar. Aqui, no entanto, parece ser uma situação de cada um por si", afirmou, acrescentando que os libaneses formavam o grosso das equipes de emergência envolvidas nos esforços de ajuda.

"Nunca vi pessoas tão leais como as que estão naquelas áreas, enfrentando condições realmente impossíveis de serem suportadas. Elas não contam com nenhum tipo de proteção", disse.

"E são elas as que estão fazendo a maior parte do trabalho. Esse trabalho não vem sendo realizado pela comunidade internacional, isso está bastante claro."

Por David Clarke
(Reportagem adicional de Laura MacInnis em Genebra)

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