| Último Segundo –
9 de agosto de 2006
Agências
humanitárias enfrentam dificuldades em operar no sul do Líbano
Membros do governo libanês estimam que mais
de 915.000 pessoas - um quarto da população - ficaram
sem abrigo em virtude da ofensiva de Israel que já dura quatro
semanas, enquanto uma organização de ajuda afirmou
que é "quase impossível" trabalhar fora
de Beirute.
Muitos motoristas de caminhão negam-se a entregar ajuda
por medo de serem atingidos por Israel, que já avisou que
irá atacar qualquer veículo que se mova ao sul do
rio Litani, uma área que inclui a cidade portuária
de Tyre. Hospitais já alertaram que estão a poucos
dias de ficar sem o combustível necessário para pôr
em funcionamento salas de emergência e máquinas.
A organização Oxfam, com sede na Grã-Bretanha,
mencionou um "pesadelo logístico" em alcançar
as vítimas mais afetadas e estimou ser "quase impossível"
operar além da capital Beirute."Há ataques em
qualquer movimento", disse Ian Bray, porta-voz da Oxfam para
emergências humanitárias, acrescentando que os hospitais
no sul do Líbano estão ficando sem combustível
e os bens necessários."Temos informações
de que motoristas de caminhão estão se negando a trabalhar
com medo de serem atingidos por mísseis israelenses - isso
causa um problema enorme", disse ele à AFP em Londres.
O Escritório da Comissão Humanitária Européia
(ECHO), em Bruxelas, disse que mesmo que os israelenses concordem
em deixar que os comboios passem, não seria possível
fazer grandes entregas."Já que as estradas foram bombardeadas,
caminhões grandes não conseguem passar", disse
o relações públicas da ECHO Simon Horner à
AFP.Segundo Horner, "se o conflito continuar, haverá
uma catástrofe humanitária; já é uma
crise e pode se transformar numa catástrofe".
A organização Médicos Sem Fronteiras disse
que o bombardeio de pontes "foi um estrago enorme para a entrega
de suprimentos vitais para pessoas presas no sul do Líbano".
A organização afirmou que quatro toneladas de suprimentos
foram carregados a mão por cerca de quinhentos metros ao
longo de uma cadeia humana, a qual contou com a ajuda de jornalistas.Ataques
aéreos e de artilharia israelenses destruíram estradas
e mais de 100 pontes no Líbano desde o dia 12 de julho, depois
que o Hezbollah capturou dois soldados do exército de Israel.
O chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger,
disse durante uma visita a Tyre na terça-feira que 100.000
pessoas estavam vivendo um péssimas condições
no Líbano e que é vital que seja restabelecido o acesso
ao sul do país.Tyre está isolada do resto do país
e médicos implementaram uma clínica na prefeitura
para tratar de problemas respiratórios e de pele."Isso
vem acontecendo devido à qualidade ruim da comida e das péssimas
condições sanitárias", disse o doutro
Ghassan Farran, cuja casa foi destruída.A maioria dos 50.000
moradores de Tyre deixou a cidade, que conta agora com cerca de
15.000 e 20.000 pessoas.
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