| Site Terra – 7 de junho
de 2005
Febre de Marburg já matou
354 pessoas em Angola
O foco da febre de Marburg que desde outubro passado
afeta a população do norte de Angola já matou
de 354 pessoas, segundo um comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira
pelas autoridades sanitárias angolanas e a Organização
Mundial da Saúde (OMS).
A maior parte dos 392 casos registrados ocorreu em Uige, capital
da província de mesmo nome, 300 quilômetros a nordeste
de Luanda e centro do foco epidêmico.
Os casos informados em outras regiões são de pessoas
que estiveram em Uige ou que entraram em contato com quem viajou
para essa província e contraiu a doença.
As autoridades sanitárias angolanas mantêm na região
equipes de médicos e enfermeiras que trabalham com especialistas
da OMS, da organização humanitária Médicos
Sem Fronteiras e da Cruz Vermelha Internacional para tentar conter
a epidemia.
Porta-vozes do Ministério angolano de Saúde Pública
destacaram que um dos maiores problemas para extinguir o foco é
o costume da população rural de velar seus mortos
por vários dias.
No início de maio, o número de novos contágios
caiu a quase zero, o que deu esperanças de que a doença
poderia estar sendo contida.
Mas essa impressão revelou-se incorreta, pois as estatísticas
oficiais são reunidas em função apenas dos
casos informados.
Nessa ocasião, as autoridades médicas angolanas disseram
que o foco só podia ser considerado sob controle se não
fossem registrados novos casos em 21 dias - limite máximo
de incubação da doença -, e erradicado, se
a mesma situação fosse verificada depois de seis semanas.
Já a OMS considera que uma epidemia está contida quando
não são registrados novos casos em um tempo duas superior
ao período máximo de incubação.
A febre hemorrágica de Marburg tem sintomas parecidos com
os causados pelo vírus Ebola e também é transmitida
através do contato direto com o doente e seus fluidos corporais,
sangue, urina e fezes.
Os doentes da febre de Marburg sofrem de desidratação
devido a diarréias agudas, em muitos casos acompanhadas de
hemorragias devido a feridas no trato intestinal. Também
são sentidas dores abdominais, pulmonares e de garganta.
A morte acontece por causa de um choque após o colapso das
funções do fígado, do pâncreas e de outros
órgãos vitais.
O vírus desta doença foi identificado em 1967, na
cidade alemã de Marburg, onde foram vários funcionários
de um laboratório local que tinham realizado estudos em macacos
infectados de Uganda se contaminaram.
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