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Rede de Informação Regional Integrada das Nações Unidas – 26 de julho de 2006

Vitória dos MSF com a nova versão do Kaletra

Uma nova versão do medicamento antiretroviral (ARV) de segunda linha, o Kaletra, começou a chegar nesta semana em algumas partes do oeste e sul da África do Sul graças aos esforços da organização médica internacional, Médicos Sem Fronteiras (MSF).

MSF vêm tentando obter com o Laboratório Abbott a nova forma farmacêutica termo-resistente há quase um ano, depois de saber que a mesma já estava nas prateleiras dos Estados Unidos, mas não estava disponível ainda nos países em desenvolvimento, onde é extremamente necessária.

A nova versão do Kaletra pode ser seguramente armazenada sem utilizar geladeira e não precisa ser administrada com comida – vantagens importantes para o indivíduo HIV-positivo de regiões de poucos recursos.

Embora esteja contente com a conquista, Marta Darder, coordenadora da Campanha de Acesso a Medicamentos dos MSF, disse à PlusNews que muito mais poderia ter sido feito para tornar o medicamentos universalmente acessível, incluindo na Ásia e América Latina.

”Os medicamentos estão atualmente disponíveis em apenas três países africanos. Mas e os outros lugares de recursos limitados do mundo onde o fornecimento falho de energia elétrica ocorre todos os dias?” comentou Darder.

Uma remessa do novo Kaletra chegou nos Camarões e na África do Sul na semana passada, seguido de outra consignação esta terça em Lagos, maior cidade da Nigéria.

O Kaletra ainda está sendo usado como esquema de segunda linha de tratamento pelo governo da África do Sul no seu programa de ARV.

O medicamento não está ainda oficialmente registrado nos países beneficiados e uma “autorização especial” foi obtida depois que os MSF tiveram encontro com representantes das autoridades regulatórias.

"Embora tenha ocorrido preocupações quanto ao custo da nova versão (que no varejo é de US$ 9,000 por pessoa por ano), nós também tentamos assegurar as remessas pelo preço da versão antiga (US$500 por pessoa por ano), e isso é apenas uma gota no oceano, se considerarmos o tamanho da pandemia na África.”

10% da população mundial encontram-se na África Subsaariana e estima-se que 60% estejam vivendo com o HIV/Aids.

“O que precisamos agora é que todos os atores nos ajudem a pressionar a Abbott. Governos e organizações da sociedade civil são encorajados a trabalhar com os MSF para assegurar maiores estoques deste medicamento vital”, disse Darder.

O grupo sul-africano de ativistas da AIDS - Treatment Action Campaign (TAC) – já está apoiando o movimento dos MSF de acesso a medicamentos fazendo a sugestão de que a Abbott conceda licenças às empresas de medicamentos genéricos, possibilitando, assim, que sejam fabricadas versões mais baratas deste medicamento essencial para o prolongamento da vida das pessoas que vivem com o HIV.

"Esta vitória dos MSF é um importante caminho para o desenvolvimento da garantia de um acesso mais amplo às terapias ARV de segunda linha em países pobres, sendo que mesmo a versão antiga do Kaletra ainda é exorbitante para muitas pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza”, disse Nathan Geffen da TAC à PlusNews.

Geffen ressaltou que mesmo a US$500 por ano, o Kaletra continua sendo o tratamento mais caro no mercado internacional.

Trata-se de um medicamento ARV de segunda linha chave, cuja utilização é feita depois que o indivíduo HIV-positivo desenvolveu efeitos adversos severos com o uso das combinações de primeira linha ou resistência a elas – problema crescente, segundo os MSF.

Os produtores de medicamentos e as autoridades regulatórias têm dito que a menos que eles comecem o fast-tracking (registro acelerado prioritário), a aumentar a disponibilidade de medicamentos de segunda linha, a crise pode ocorrer à medida que o número de pacientes que apresentem resistência ao tratamento de primeira linha aumente.

A Abbott, única fornecedora do Kaletra, disse que estava trabalhando o mais rápido possível para ter a nova versão do seu medicamento registrada nos países em desenvolvimento.

[ Este artigo não reflete necessariamente o ponto de vista das Nações Unidas]

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