| O Globo – 03 de junho de
2004
Talibã
mata equipe de ong internacional
Cinco
integrantes do grupo de ajuda humanitária Médicos
Sem Fronteiras são chacinados no Afeganistão.
Cinco integrantes de um grupo de ajuda humanitária foram
assassinados ontem no noroeste do Afeganistão, no maior ataque
deste tipo desde a queda do regime talibã no país,
em 2001. Dos cinco membros dos Médicos Sem Fronteiras (MSF)
mortos ontem, três eram estrangeiros, uma belga, um holandês
e um suíço, além de dois afegãos.
A chacina aconteceu na cidade de Qadis, na província de
Badghis. O carro em que estavam os cinco integrantes do MSF foi
emboscado por guerrilheiros que disparam contra o veículo.
De acordo com o chefe de polícia da província, Amir
Shah Nayebzada, o fato de o crime ter ocorrido na região
noroeste do país é ainda mais preocupante para o governo.
A milícia talibã é mais ativa nas regiões
sul e leste do país.
Em nota, o MSF confirmou as mortes.
“A belga trabalhava como coordenadora de projeto de MSF,
o holandês como logístico e o norueguês como
médico da organização. Os dois afegãos
mortos eram o motorista e o tradutor da equipe”.
— O ataque ocorreu logo antes do anoitecer. Parece ter sido
um ato politicamente motivado, muito possivelmente por guerreiros
talibãs, pois não vemos razão para alguém
fazer isso — disse Nayebzada. — O Talibã quer
desestabilizar o país antes das eleições.
Mais de 700 pessoas foram mortas no país desde agosto e
a intensidade dos ataques relacionados a guerrilheiros rebeldes
aumentaram nos últimos dois meses. As eleições
serão realizadas em setembro. Ontem, um porta-voz da milícia
talibã assumiu a autoria da chacina.
— Nós fizemos isso — disse Haji Latif Hakimi,
que diz ser o relações públicas do Talibã,
em Herat. — Nós os matamos porque eles trabalhavam
para os americanos e contra nós, usando a cobertura do trabalho
humanitário. Iremos matar mais integrantes de grupos humanitários
estrangeiros.
Nick Downie, do Escritório de Segurança de Organizações
Não-Governamentais do Afeganistão, afirmou que 21
membros de entidades humanitárias já foram mortos
no país em 2004. Ano passado, 13 foram assassinados.
— Temos visto a insurgência agir no sul, no leste e
no sudeste. É chocante ser atacado naquela parte do país
— disse Downie.
Ele espera uma diminuição do trabalho das ONGs na
região. Downie acrescentou também que mais da metade
do país está fora dos limites de atuação
destes grupos devido à ausência do Estado e da conseqüente
insegurança.
Ontem, o Departamento de Estado americano afirmou que as eleições
programadas para setembro serão um fracasso caso não
se consiga fazer com que pelo menos sete milhões de pessoas
se registrem para votar. William Taylor, coordenador de Afeganistão
do departamento, disse ontem diante da comissão de Relações
Internacionais da Casa dos Representantes, que o resultado da eleição
terá pouca credibilidade caso o número de eleitores
seja apenas os atuais 2,8 milhões registrados.
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