| Site Globo.com – 12 de janeiro
de 2006
Divulgada lista das 10 crises humanitárias
mais negligenciadas pela mídia em 2005
Conflitos que causam enorme sofrimento humano, como os que
acontecem hoje na República Democrática do Congo (RDC),
Haiti, Chechênia e nordeste da Índia, estão
entre as 10 crises mais negligenciadas pela mídia em 2005,
de acordo com a lista anual 'Top Ten' divulgada pela organização
de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).
A oitava lista anual também destaca a falta de atenção
por parte da imprensa ao desespero das pessoas encurraladas em guerras
crônicas na Colômbia, norte de Uganda e Costa do Marfim;
às crises na Somália e no sul do Sudão; assim
como à falta de pesquisa e desenvolvimento para novas ferramentas
de combate ao vírus HIV, adaptadas às necessidades
de populações que vivem nos lugares mais empobrecidos
do planeta.
- A cobertura da imprensa pode ter um impacto positivo na ajuda
humanitária, basta olharmos para a crise nutricional em Níger,
no ano passado. Embora a ajuda tenha chegado com muito atraso para
muitos, a única razão que justifica o aumento dos
esforços humanitários foi a atenção
dada pela mídia no auge da crise - disse Nicolas de Torrente,
Diretor Executivo de MSF nos Estados Unidos.
De acordo com Andrew Tyndall, editor do jornal on-line The Tyndall
Report, que rastreia o trabalho da imprensa, as 10 histórias
destacadas por MSF representaram apenas 8 minutos dos 14.529 minutos
dos noticiários noturnos das três maiores redes de
TV americanas em 2005. Desastres naturais como as tsunamis no sudeste
da Ásia e guerras como a do Iraque dominaram o noticiário
internacional. Segundo Tyndall, num ano em que a cobertura internacional
teve um número extraordinário de reportagens, apenas
6 minutos foram dedicados à RDC e 2 minutos à Chechênia.
As demais histórias destacadas por MSF não receberam
nenhuma cobertura. A crise da Aids recebeu 14 minutos de cobertura,
nenhum deles, no entanto, dedicado à falta de P&D.
- As reportagens sobre o HIV/Aids jamais tocaram na questão
da falta de
pesquisa e desenvolvimento de instrumentos especialmente adaptados
para os pacientes mais afetados pela epidemia - disse Nicolas de
Torrente.
Embora tenha havido um aumento do número de reportagens
internacionais, a insegurança em zonas de conflito novamente
contribuiu para impedir os jornalistas de informarem sobre algumas
das mais perigosas regiões do mundo. |