| Estado de S. Paulo – 13
de julho de 2008
Dependência
de álcool cresce entre mulheres em Darfur
Elas também dão substância aos filhos, para
que esqueçam da fome
O conflito, a fome e a miséria estão criando um novo
fenômeno entre mulheres e crianças na região
sudanesa de Darfur: o alcoolismo. O alerta foi dado por equipes
de organizações não-governamentais e instituições
de caridade que atuam no Sudão, país onde o consumo
de álcool é proibido.
Membros da ONG Médicos Sem Fronteiras contam que mulheres,
muitas delas estupradas por soldados ou rebeldes, chegam às
clínicas provisórias da entidade em completo estado
de embriaguez.
Elas justificam o consumo dizendo que essa é a única
forma de esquecer as atrocidades da guerra. O mais preocupante,
de acordo com funcionários da ONG, é que essas mulheres
usam álcool artesanal para alimentar crianças. O objetivo
é parar o choro dos filhos, que estão sem comer há
dias. O hábito é tão freqüente que várias
crianças, muitas com menos de dois anos, chegam aos ambulatórios
já dependentes de álcool.
CONDENAÇÃO
Em um protesto organizado pelo governo, milhares de sudaneses manifestaram-se
ontem em Cartum contra a possibilidade de o Tribunal Penal Internacional
(TPI) indiciar hoje o presidente do país, Omar al-Bashir,
por crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur. Contra ele
pesam os estimados 200 mil mortos e 2,7 milhões de refugiados
da região, onde grupos rebeldes começaram a atuar
contra o governo por acusá-lo de negligência. "Com
nossas almas e sangue, morreremos por Bashir", gritava a multidão,
que marchou em direção aos escritórios da ONU
na capital. Se o pedido de prisão ocorrer, será a
primeira vez que um chefe de Estado em atividade será acusado
no TPI, que foi estabelecido em 2002 e tem sede em Haia, Holanda.
COM REUTERS
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