| Estado de S. Paulo – 13
de julho de 2008
Brasileiros
aliviam sofrimento de sudaneses
Jamil Chade
Em pleno caos do Sudão, dois brasileiros assumem posições
de relevância para a população. Um deles é
quase anônimo, mas organiza atendimento médico para
a população miserável da região de Darfur.
O outro é uma celebridade nos campos de futebol e não
pode sair nas ruas da capital do Sudão, Cartum, sem ser reconhecido.
Mauro Nunes é o chefe da equipe médica da entidade
Médicos Sem Fronteiras. Em seu escritório em Cartum,
ele organiza os atendimentos em Darfur, onde nem a ONU ou o governo
chegam. Nunes, que passou por ataques em Angola, Moçambique
e Nigéria, falou com o Estado sobre sua experiência
no Sudão. "A situação aqui é imprevisível.
Tudo pode ocorrer a qualquer momento", disse.
Sobre a situação da população, o brasileiro
admite que as condições não são nada
boas e a desnutrição é muito grave. Ele diz
que, em algumas regiões, a travessia de 50 quilômetros
de carro para levar alimentos e atendimento médico pode levar
cinco horas por causa dos "pedágios" impostos pelo
governo, rebeldes e milícias.
Mauro afirma que orienta os médicos para que atendam a todos.
"Precisamos ser neutros e apenas prestar assistência
médica. Não fazemos perguntas políticas. Temos
milicianos que chegam de camelo e soldados que admitem ter contraído
doenças por estuprar uma mulher", afirmou.
FUTEBOL
O carioca Heron Ricardo Ferreira, de 49 anos, é o treinador
do time do Al-Hilal, principal equipe do Sudão. Ricardo é
conhecido por todos por sua disciplina e planejamento. Mas principalmente
por ter levado o time a uma posição de destaque na
Copa Africana de clubes. Neste ano, o Al-Hilal está nas quartas-de-final
de novo.
Ricardo tem apenas o título de campeão brasileiro
da série B de 1994 com o Juventude (RS). Depois de passar
por times como Ituano, Bragantino,União São João
de Araras, Anápolis e Náutico, finalmente chegou em
2006 ao Al-Hilal.
A cada jogo, Ricardo leva milhares de pessoas ao estádio.
Na semana passada, o ditador Omar al-Bashir resolveu fazer em um
estádio a festa dos 19 anos de seu regime. Apenas 3 mil pessoas
apareceram.
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