| Jornal O Dia – 17 de junho
de 2006
Angola lucra
com petróleo mas sofre com cólera por falta de saneamento
Com as chagas da guerra civil ainda cicatrizando,
Angola vive agora entre a riqueza do petróleo, que a garantiu
um crescimento economico de 18% ano passado, e uma epidemia de cólera
que já atacou 43 mil pessoas, matando 1,6 mil desde fevereiro.
Segundo dados da ONG Médicos Sem Fronteira (MSF), que tratou
de mais da metade dos casos, apesar da incidência da doença
estar caindo, a cólera ainda aflige 14 das 18 províncias
do país e registro de 200 novas infecções por
dia em alguns lugares.
Mesmo lucrando alto com o petróleo, a falta de investimento
no saneamento básico é apontada como vilã,
até na capital Luanda, onde 4 milhões de pessoas vivem
em condições precárias. “A guerra acabou
em abril de 2002, mas mesmo assim quase não vimos investimento
nesse setor”, lembra a diretora executiva do MSF no Brasil,
Simone Rocha, que já trabalhou em Luanda.
Segundo ela, o número de casos na capital já está
caindo, até devido ao ciclo biológico da própria
doença, mas a incidência em novas regiões ainda
preocupa muito. Desde fevereiro, o MSF já implantou 10 centros
de tratamento, 40 pontos de reidratação e trata 5
milhões de litros d’água só na capital
de Angola.
Além da falta de saneamento básico e os lixões
a céu aberto, a contaminação da água
potável distribuída à população
por caminhoneiros agrava ainda mais o drama dos angolanos.
A maior parte da receita da ONG sem fins lucrativos vem da doação
de pessoas físicas. “Isso nos permite não ter
que esperar pelos governos”, conta Simone.
|