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Correio Web – 28 de maio de 2008

Violência contra imigrantes diminui na África do Sul

A violência contra imigrantes na África do Sul diminuiu nos últimos dias, a situação está mais tranqüila e não há registro de mortes, segundo a diretora de comunicação da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país, Alessandra Vilas Boas. A organização presta assistência às vítimas dos atos de xenofobia que começaram na cidade de Johanesburgo e, segundo relatos, se estenderam à Cidade do Cabo, capital legislativa, e a Durdan.

"Nos últimos dias os episódios de violência se acalmaram, mas ainda existe um grande número de pessoas alojadas em locais que não estão preparados para receber tanta gente", conta Alessandra. Segundo ela, existem pelo menos 50 mil desabrigados, além de 56 mortos em conseqüência dos ataques. O conflito começou no dia 11 de maio na comunidade de Alexandra e logo se alastrou por outras comunidades, chegando ao centro de Johanesburgo uma semana depois.

Os imigrantes atacados são do Zimbábue, de Moçambique, da Somália e outros países africanos e estão abrigados em delegacias, centro comunitários e igrejas. "Algumas dessas pessoas já estão nesses locais há mais de duas semanas e o que a gente tem visto é que essa situação tem se deteriorado. As condições de higiene são precárias, muitas pessoas ainda dormem do lado de fora, ao relento, e as condições de saneamento estão longe de ser as ideais", diz a diretora do MSF.

Alessandra também afirma que não presenciou os ataques, mas as vítimas geralmente têm marcas de espancamento, de queimaduras – alguns morreram queimados vivos - e de ferimentos a bala. Os ataques são organizados e não aparentam ter também razões raciais.

Segundo ela, antes do pico de violência os imigrantes já recebiam tratamento xenofóbico das autoridades sul-africanas. "Os estrangeiros já estavam em situação de vulnerabilidade e tinham receio de procurar assistência médica e serem deportados. No final de janeiro deste ano, houve um ataque de policiais no meio da noite a imigrantes do Zimbábue que viviam em uma igreja metodista no centro de Johanesburgo. Alguns foram presos e a polícia foi muito violenta".

Muitos imigrantes estão voltando aos países de origem, mas Alessandra diz não saber se isso é espontâneo ou forçado pela falta de proteção.

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