Médico Sem Franteiras
Diário de Bordo: Samuel Elias, administrador brasileiro, conta sua experiência com MSF, na República Democrática do Congo
  PARTE 3 - 24 de setembro, Lubumbashi, Congo.
 

 

 

Terminamos a primeira fase de nossa campanha de vacinação e agora iniciamos os preparativos para a segunda etapa. Nossas equipes já levantaram acampamento e seguem para as novas posições. Um pequeno time de batedores seguem uma semana antes de moto, visando encontrar o lugar mais seguro e estratégico para nossas equipes. Agora, imaginem vacinar milhares de crianças debaixo de chuva torrencial, motos derrapando e pesados caminhões atolando na lama. É exatamente por tentar evitar esse quadro que estamos em uma declarada corrida contra o tempo, pois a estação chuvosa está prevista para começar em meados de outubro.

No começo de setembro, fui ao Brasil para passar algum tempo com minha família e, ao voltar pra R.D.Congo, recebi a notícia de que haviam casos não confirmados de cólera e ebola em nosso setor. As duas doenças requerem mobilização imediata, pois além de se propagarem de maneira veloz, têm sua taxa de mortalidade altíssima: cólera mata até 50% dos infectados e ebola, uma violentíssima febre hemorrágica, mata até 98% dos infectados. Nossa equipe de emergência partiu em menos de 48 hrs para fazer a exploração e averiguar a veracidade das informações. Preparamos os equipamentos om telefone satélite, bússulas, kits de sobrevivência e outros equipamentos médicos e logísticos. Apesar de gostar de trabalhar em uma posição de coordenação e estratégia, fiquei um pouco sentido por não poder fazer parte da equipe e ir a campo. Os desafios mudam a cada missão, e por vezes posições mais maduras significam menor mobilidade.


Leia a primeira parte do diário de bordo

 


Por: Samuel Elias