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PARTE 3
19/04/2006 - Finalmente os primeiros resultados da Campanha de Tuberculose
começam a chegar! O número de pacientes com sintomas
respiratórios procurando as Puskemas (Postos de Saúde)
já aumentaram. Em Rijáli, houve um aumento de 100%
do número de suspeitos comparativamente ao mês de fevereiro.
Isso é muito gratificante!
Uma
coisa também muito positiva é ver o Rais, que foi
deslocado de sua cidade por conflitos religiosos em 1999 e hoje
é funcionário da limpeza de MSF, fazendo palestras
sobre Tuberculose, ainda que em caráter experimental, nas
sessões de educação em saúde que continuamos
a realizar em escolas e campos de deslocados.
Descobrimos
um novo talento! Ele conversa com o povo de maneira alegre, divertida.
Vemos que a comunidade absorve bem a informação transmitida
por ele. O fato dele ser também parte desta mesma comunidade,
e não ser profissional de saúde cheio de termos técnicos,
é também muito positivo! Ele é mesmo muito
bom!
O mais
provável é que seja “upgraded” para a
função de educador após receber treinamento
específico. É isto que estou deixando como recomendação
para o meu sucessor.
Pois
é, estou chegando ao final da minha missão. Poxa,
como passou rápido! Foram 2 meses que passaram como um relâmpago!
Felizmente,
olhando retrospectivamente, vejo que atingi todos os objetivos a
que me propus.
No
período que aqui estive, consegui executar o treinamento
do médico expatriado de TB para exercer a função
de coordenador de terreno após minha partida, revisamos e
aprovamos a versão final dos folhetos educativos para a população
em geral sobre a Tuberculose, assim como o específico para
os pacientes em tratamento, aprovamos a nova apresentação
para as palestras, atualizamos o guia de segurança (isso
é tão importante aqui...) e cumprimos com sucesso
a programação do Dia Mundial da TB, e já começamos
a colher os resultados. Enfim, vejo chegar a hora da partida, com
um sentimento gostoso de “dever cumprido”!
Agora
é preparar-me para a próxima semana que será,
mais uma vez, uma loucura! Nesta semana, teremos a visita da especialista
em TB de Bruxelas junto com a Coordenadora de Saúde. Elas
vêm fazer uma avaliação do projeto como um todo,
da maneira como as estatísticas são apresentadas,
etc.
Por
mais que não se queira, ao saber que se é avaliado,
“rola sempre uma tensão”... Mas como tudo está
bem encaminhado, e tudo que tinha pra resolver está pronto,
não há porque ter stress!
Ainda
assim, para relaxar, esta semana fomos a Latuhalat, do outro lado
da ilha. Fiquei com raiva de não ter ido lá antes.
Este lado da ilha é ainda mais bonito que o outro. A praia
de Pintu Kota é simplesmente fantástica e misteriosa!
Fica num local ermo, um vale que tem como um dos lados, uma pedra
furada, escavada pela erosão, que forma um portal maravilhoso
e mágico! Vencendo o medo, atraído pela tentação,
banhei-me dentro do portal que, segundo a população
local, atrai boa sorte pra quem o faz! Tomara que seja verdade...
Com
isto passei minha penúltima semana em Ambon.
Ai, que saudades... Vai ser bom estar de volta, rever a família,
amigos...
Entretanto,
será só um diazinho para recuperar do fuso e do jet-lag...
No
dia seguinte, ao retorno, já estarei de volta ao trabalho
no escritório de MSF no Rio!
É...,
vida de “Sem Fronteiras” não é mole não...
Abraços
de Ambon
Mauro
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