Meu
nome é Cláudia e trabalho como pediatra em São
Paulo há quase 15 anos. Fiz faculdade na USP e UNIFESP, e
hoje trabalho em consultório e também em dois hospitais,
na área de emergência. Mesmo assim, consegui, com ajuda
de muitos amigos, me organizar para viajar com MSF, um sonho antigo
que surgiu da grande admiração que tenho pelo projeto,
e de uma vontade imensa de fazer algo por aqueles que precisam de
ajuda, com oportunidade de grande aprendizado profissional e cultural,
grande crescimento emocional e uma boa dose de aventura.
No
momento, estou na Etiópia, em uma missão de emergência
nutricional. Apesar das dificuldades e de algumas inevitáveis
frustrações nesses últimos dois meses, o amor
que cresce por esse país, absolutamente fascinante, é
difícil de descrever.
Vocês
provavelmente já receberam relatos do David, e agora escrevo
um pouco mais, pois tenho mais três semanas de missão
por aqui. Este país é belíssimo e cheio de
contrastes. As paisagens exibem um verde fresquinho, jovem, trazido,
finalmente, pelas chuvas. As plantações de milho,
café e gengibre enchem a gente de esperança por uma
estação mais prospera para o povo etíope.
Na
missão, já comecamos a intercalar momentos de tristeza
com a gratificante sensação de melhora, mesmo que
lenta, da situação de fome e miséria da população.
Ainda admitimos no programa crianças bastante desnutridas,
jovens e adultos com suas doenças crônicas misturadas
com as marcas da fome.
Mas,
após pouco mais de três meses de MSF nesse programa,
podemos ver resultados positivos de um trabalho de muitas mãos
e muitos corações. O cansaço se dilui em um
sorriso e um abraço de um paciente que não tem mais
os pés tão inchados característicos do Kwashiorkor,
e que come.
Temos
ainda a alegria de ver um bebê nascer na multidão que
aguarda atendimento, filho de mãe desnutrida, mas exibindo
seus saudáveis 3 kg de vida!
Duas
vezes já cortei cordão umbilical com meu canivete
Swiss Army, o que é algo absolutamente indescritível!
Estou
muito feliz por poder participar do projeto e poder carregar comigo
para toda vida essa bagagem inesquecível.
Por
enquanto é só. Mando notícias no próximo
relato.
Um abraço grande a todos!
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