Médico Sem Franteiras
Maria Cláudia Soares, médica, conta sua primeira experiência com MSF, na Etiópia
  PARTE 1 - Etiópia, 02 de setembro de 2008.
 
Meu nome é Cláudia e trabalho como pediatra em São Paulo há quase 15 anos. Fiz faculdade na USP e UNIFESP, e hoje trabalho em consultório e também em dois hospitais, na área de emergência. Mesmo assim, consegui, com ajuda de muitos amigos, me organizar para viajar com MSF, um sonho antigo que surgiu da grande admiração que tenho pelo projeto, e de uma vontade imensa de fazer algo por aqueles que precisam de ajuda, com oportunidade de grande aprendizado profissional e cultural, grande crescimento emocional e uma boa dose de aventura.

No momento, estou na Etiópia, em uma missão de emergência nutricional. Apesar das dificuldades e de algumas inevitáveis frustrações nesses últimos dois meses, o amor que cresce por esse país, absolutamente fascinante, é difícil de descrever.

Vocês provavelmente já receberam relatos do David, e agora escrevo um pouco mais, pois tenho mais três semanas de missão por aqui. Este país é belíssimo e cheio de contrastes. As paisagens exibem um verde fresquinho, jovem, trazido, finalmente, pelas chuvas. As plantações de milho, café e gengibre enchem a gente de esperança por uma estação mais prospera para o povo etíope.

Na missão, já comecamos a intercalar momentos de tristeza com a gratificante sensação de melhora, mesmo que lenta, da situação de fome e miséria da população. Ainda admitimos no programa crianças bastante desnutridas, jovens e adultos com suas doenças crônicas misturadas com as marcas da fome.

Mas, após pouco mais de três meses de MSF nesse programa, podemos ver resultados positivos de um trabalho de muitas mãos e muitos corações. O cansaço se dilui em um sorriso e um abraço de um paciente que não tem mais os pés tão inchados característicos do Kwashiorkor, e que come.

Temos ainda a alegria de ver um bebê nascer na multidão que aguarda atendimento, filho de mãe desnutrida, mas exibindo seus saudáveis 3 kg de vida!

Duas vezes já cortei cordão umbilical com meu canivete Swiss Army, o que é algo absolutamente indescritível!

Estou muito feliz por poder participar do projeto e poder carregar comigo para toda vida essa bagagem inesquecível.

Por enquanto é só. Mando notícias no próximo relato.

Um abraço grande a todos!


 

Por: Maria Cláudia Soares