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Estou muito satisfeito com a minha vida de expatriado, mesmo não
sendo das mais fáceis. Oficialmente começamos a trabalhar
às 8h, mas a maioria dos expatriados chega entre 7h e 7h30m,
pois precisamos arrumar os carros, equipamentos, enfim, tudo necessário
para um dia de trabalho, que só vai terminar lá pelas
18h. Depois, alguns ficam na cidade de Limbe (15 km de Blantyre)
e outros vão para o hospital em Thyolo, que fica a 35km de
Limbe, que também chamamos de terreno (field). Alguns programas
do MSF ainda se extendem a outras vilas, que não são
possíveis encontrar em qualquer mapa. Essas vilas algumas
vezes não sao acessíveis por estradas e para chegar
até elas usamos motos.
O trabalho
da logística tem como objetivo criar ambientes e situações
seguras onde a equipe médica possa exercer sua função.
Isto é, na logística é necessário planejar
e executar :
· Meios de Transporte (Frete, carros, caminhões, transportes
aéreos e fluviais)
· Meios de Armazenagem (Galpões)
· Meios de Suprimentos (alimentação/água
potável / material de trabalho)
· Meios de Comunicação (Rádio, Satélites,
Celulares, Telefones, Internet)
· Infra-estruturas (Construções / Barracas
/ Tendas médicas /Eletricidade/Água)
· Segurança (Guardas, regras de uso de carros, código
de conduta no campo)
· Manutenções em Gerais
Devido
a esse leque de atividades, algumas vezes a logística é
conhecida por "Jack for all trade", alguma coisa em português
como "Pau pra toda obra". Se alguém tem interesse
por esse campo, é bom observar desde hoje que a prioridade
sempre deverá ser o projeto. Essa é a razão
da existência da logística no terreno ou na capital.
Já
me senti bastante realizado com algumas atividades realmente ligadas
a logística como o transporte de material pra ajudar os desabrigados
pelas enchentes em Moçambique. Em fevereiro e março,
mais de 80 mil pessoas ficaram desabrigadas por causa da cheia do
Rio Zambezi. Esse rio vem da Zâmbia e corta Moçambique
de Oeste a Leste, até a cidade de Beira.
Montamos
uma operação de emergência conhecida como "Operação
Mutarara". Veio uma equipe de apoio de Bruxelas e também
de Moçambique. Além da operação de emergência,
era necessário continuar com as atividades dos projetos de
HIV em Thyolo e em Tete. As dificuldades logísticas eram
muitas e esse tipo de desafio deixa qualquer um animado. Foi fretado
um avião que iria trazer os kits de emergência de Bruxelas
e ainda passaria em Nairóbi (Quênia), onde temos um
armazém central com grande quantidade de medicamentos, barracas
e alimentação. Esse avião pousou em Lilongwe,
pois na cidade de Blantyre o aeroporto não era grande o suficiente
pra receber o equipamento. Fretamos aproximadamente oito caminhões
para fazer a primeira viagem do aeroporto à área de
emergências. Alugamos um outro armazém para estocar
o material restante e as próximas remessas do kit cólera,
barracas e kit nutricionais. Essa operação durou aproximadamente
35 dias. Mesmo com tantos desabrigados (80 mil), cheguei a ler no
jornal local que o número de vítimas esse ano não
ultrapassou o número de 30, o que é um sucesso. Parabéns
a todos que ajudaram nessa operação.
Por:
Luis
Otávio Guimarães
Leia
a primeira parte do diário de bordo
Leia
a segunda parte do diário de bordo
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