Médico Sem Franteiras
Kelly Barbosa, enfermeira, conta sua experiência com MSF no Camboja
 
  PARTE 3 - 15 de setembro, Takeo, Camboja.
 
 
Estamos em fase de planejamento para o período de 2009. Isso exige muitas reuniões e discussões sobre as prioridades e necessidades para a missão. Como estamos em fase de finalização do projeto, temos de pensar no melhor meio de transferir nossas atividades sem prejudicar os pacientes. Porém, ainda temos muito trabalho ativo e ainda temos dez meses pela frente.

Esses dias, iniciamos uma inovação na educação em saúde do hospital. Nossos staffs cambojanos se tornaram atores e produzimos alguns filmes de curta duração, em que eles representavam pacientes, acompanhantes e médicos, demonstrando situações cotidianas que sempre terminam com a mensagem principal. Os filmes falam de higiene, prevenção de doenças e cuidados gerais. Têm tido um bom resultado, pois utilizam a mesma linguagem dos pacientes, captam a memória visual e ainda divertem quando eles (os pacientes) começam a reconhecer os atores. Temos utilizado os filmes duas vezes por semana para os pacientes hospitalizados. Ao final, eles lançam muitas perguntas e é o meu momento preferido, pois tomo conhecimento do tipo de dúvidas que eles têm e consigo, junto com meus colegas, esclarecer e aliviar dúvidas e angústias. A pergunta mais comum é se tuberculose é uma doença genética.

Outro dia tivemos o encontro de adolescentes que vivem com HIV/AIDS. Recebemos crianças de 12 a 16 anos de idade. Um deles eu poderia jurar que não tinha mais de oito anos, mas tinha 12. A menina que eu pensei que tinha 12, tinha 15. O desenvolvimento, não só psicológico, mas físico também, é um tanto diferente do nosso. Mas, enfim, foi um ótimo encontro. As atividades foram coordenadas por nossa psicóloga e os aconselhadores pediátricos fizeram um ótimo trabalho de suporte. Agora, estamos planejando o encontro das crianças menores para a próxima sexta-feira.

Então, depois eu conto como foi.

Até a próxima.

Leia a segunda parte do diário de bordo


 

Por: Kelly Barbosa