É
com prazer que escrevo meu primeiro diário de bordo. Através
deste, os amigos, colegas, colaboradores e aventureiros poderão
me acompanhar e sentir um pouquinho do meu trabalho aqui no Camboja.
Esta
é a minha terceira missão com Médicos Sem Fronteiras.
Anteriormente, trabalhei na Somália e África do Sul.
Cada missão tem seu valor especial e suas dificuldades particulares.
A
primeira dificuldade desta missão foi viajar do Brasil para
o Camboja, mais especificamente de Roraima para Takeo. Praticamente
atravessei o planeta para chegar onde estou. As dez horas de diferença
no fuso-horário podem confirmar. Bem, 11 horas para a cidade
onde moro no Brasil, Boa vista, capital de Roraima.
Depois
de quatro dias de reuniões, voôs e conexões,
finalmente cheguei em Phnon Pehn, capital do Camboja, mas ainda
não era meu destino final.
A
visão a bordo do avião foi bem diferente do que vi
quando desci. De cima, parecia uma cidade totalmente alagada e com
construções espalhadas e mal acabadas. De baixo, apresenta
uma arquitetura muito interessante, tem um trânsito um tanto
confuso, com muitas motocicletas, carros, bicicletas e transportes
locais como o tuk-tuk (uma espécie de motocicleta puxando
uma charrete, quase uma carruagem, rsrs). Atravessar a rua é
um desafio.
Também
é possível encontrar de tudo: de cachaça brasileira
a espetinho de grilo assado. O Camboja conta com aproximadamente
12 milhões de habitantes, vivendo nos 181,035 quilômetros
quadrados do país. Mas como eu disse, Phnon Pehn não
era meu destino final e eu então segui de carro para a cidade
de Takeo, meu local de trabalho nos próximos 12 meses.
Takeo
localiza-se no distrito de Donkeo, que faz fronteira com o Vietnã.
O trabalho de nossa equipe tem como base o Hospital Provincial de
Takeo, o que quer dizer que trabalhamos em conjunto com os funcionários
do Ministério da Saúde local.
MSF
iniciou o primeiro projeto no Camboja em 1989. O programa em Takeo
começou em 2003 e é chamado de Clínica de Doenças
Crônicas (CDC).
Vou
explicar um pouco mais sobre CDC e minha chegada em Takeo na segunda
parte do meu diário de bordo.
Até
lá!
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