Médico Sem Franteiras
Kelly Cavalete, enfermeira, conta sua experiência com MSF no Camboja
  PARTE 1 - 28 de agosto, Takeo, Camboja
 

 

 

É com prazer que escrevo meu primeiro diário de bordo. Através deste, os amigos, colegas, colaboradores e aventureiros poderão me acompanhar e sentir um pouquinho do meu trabalho aqui no Camboja.

Esta é a minha terceira missão com Médicos Sem Fronteiras. Anteriormente, trabalhei na Somália e África do Sul. Cada missão tem seu valor especial e suas dificuldades particulares.

A primeira dificuldade desta missão foi viajar do Brasil para o Camboja, mais especificamente de Roraima para Takeo. Praticamente atravessei o planeta para chegar onde estou. As dez horas de diferença no fuso-horário podem confirmar. Bem, 11 horas para a cidade onde moro no Brasil, Boa vista, capital de Roraima.

Depois de quatro dias de reuniões, voôs e conexões, finalmente cheguei em Phnon Pehn, capital do Camboja, mas ainda não era meu destino final.

A visão a bordo do avião foi bem diferente do que vi quando desci. De cima, parecia uma cidade totalmente alagada e com construções espalhadas e mal acabadas. De baixo, apresenta uma arquitetura muito interessante, tem um trânsito um tanto confuso, com muitas motocicletas, carros, bicicletas e transportes locais como o tuk-tuk (uma espécie de motocicleta puxando uma charrete, quase uma carruagem, rsrs). Atravessar a rua é um desafio.

Também é possível encontrar de tudo: de cachaça brasileira a espetinho de grilo assado. O Camboja conta com aproximadamente 12 milhões de habitantes, vivendo nos 181,035 quilômetros quadrados do país. Mas como eu disse, Phnon Pehn não era meu destino final e eu então segui de carro para a cidade de Takeo, meu local de trabalho nos próximos 12 meses.

Takeo localiza-se no distrito de Donkeo, que faz fronteira com o Vietnã. O trabalho de nossa equipe tem como base o Hospital Provincial de Takeo, o que quer dizer que trabalhamos em conjunto com os funcionários do Ministério da Saúde local.

MSF iniciou o primeiro projeto no Camboja em 1989. O programa em Takeo começou em 2003 e é chamado de Clínica de Doenças Crônicas (CDC).

Vou explicar um pouco mais sobre CDC e minha chegada em Takeo na segunda parte do meu diário de bordo.

Até lá!

 

 

Por: Kelly Cavalete