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Criança
atendida pela Dra Eliane |
Fim de missão.
Mais uma nova experiência proporcionada pelo trabalho em uma
organização humanitária. As emoções
se misturam e se confundem: a tristeza por todos e tudo que deixarei
aqui e a alegria, o prazer de missão cumprida e da volta
para casa, de estar com meus filhos (ficar longe deles foi, sem
dúvida, a parte mais difícil da missão!), minha
família, meus amigos...
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A percepção do tempo em uma missão é
bem diferente, pois não existe passado e sim um presente
contínuo que já dura quatro meses. O tempo deixa de
ser uma referência e a missão se torna sua própria
referência. A convivência diária com os colegas
de missão, compartilhando cada instante, como também
o sentimento da responsabilidade pela qualidade da vida humana une
a todos. Palavras como companherismo, cumplicidade, colaboração
se transformam em sentimentos vivos.
As amizades feitas com a equipe local, a afeição e
o carinho pelos pacientes alimentam a saudade, que aumenta à
medida que chega o dia da partida. Mas é uma saudade boa,
de felicidade por ter vivido cada momento! Por outro lado, a experiência
do chegar, e agora do partir, após realizar um trabalho de
tal dimensão, é um grande estímulo às
reflexões.
Outro aspecto importante deste tipo de atividade é que o
trabalho continuará. Seremos substituídos e novas
mentes, com novas idéias virão, reavaliando, transformando,
procurando sempre um jeito de fazer melhor. Esta semana já
chegaram o novo logístico e a nova enfermeira da clínica
móvel. É muito interessante ver as diferentes formas
de fazer o mesmo trabalho. Para essa transição, fazemos
um relatório de avaliação do projeto, o qual
, no meu caso, será discutido com o cirurgião que
me substituirá, durante seu briefing em Bangui, na próxima
semana.
Antes de voltar ao Brasil, passarei no Centro Operacional do MSF
em Bruxelas, para fazer o debriefing junto à coordenaçao
geral do projeto, onde discutiremos as perspectivas e diretrizes
do projeto de cirurgia em Batangafo, baseado em minha experiência
nestes quatro meses. Em meio a tudo isso, um pensamento ganha forma
e força: “onde” e “quando” será
a minha próxima missão com o MSF?
E assim recomeça, com um “friozinho no estômago”,
a expectativa de minha nova missão.
Foto: Considero um
milagre este bebê de 8 meses estar vivo. Ele foi trazido ao
hospital de Batangafo pela clínica móvel com um quadro
de febre alta e convulsões contínuas. Fiz o diagnóstico
de obstrução intestinal por intussuscepção
e o operei apenas com um enfermeiro securista, que fez a ketamina,
pois o anestesista tinha viajado neste dia de férias. A foto
é do retorno, para retirada de pontos dez dias depois da
operação. Ele estava ótimo, saudável
e mamando bem feliz! Imagine a minha emoção!
Por: Eliane Mansur
Leia
a primeira parte do diário de bordo
Leia
a segunda parte do diário de bordo
Leia
a terceira parte do diário de bordo
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