Meu
papel agora, mais do que nunca, é muito técnico. Trabalho
na elaboração e readaptação dos materiais
de suporte à equipe, aos expatriados e pacientes. Supervisiono
as psicólogas locais e as preparo para me substituírem
quando termino a missão. Essa é a maior alegria que
tenho e será um êxtase quando efetivamente uma delas
assumir a coordenação do psicossocial.
Trabalho
muito em coordenação com o IEC na elaboração
dos materiais de educação para o tratamento e incentivo
a testagem do HIV, especialmente nos conteúdos das mensagens
que devem chegar aos pacientes. Mensagens que tentam desconstruir
o estigma e o medo de conhecer seu estado de saúde para o
indivíduo passe por um um momento de empoderamento e possa
se apropriar do seu autocuidado, do seu soroestado e do seu tratamento.
Estou
no momento fazendo a revisão do manual que escrevi para apoiar
a adesão dos pacientes aos anti-retrovirais. Esta será
uma ferramenta de apoio à equipe de saúde da MSF nas
unidades sanitárias que apoiamos para a implementação
das estratégias de adesão. Além disso, estou
envolvida nos grupos de suporte à adesão entre parceiros
e o Ministério da Saúde para a estruturação,
padronização e implementação das estratégias
para a promoção da adesão ao tratamento a nível
nacional.
Para
terminar, queria contar uma história que vai mostrar um pouco
o que estamos fazendo para ajudar as pessoas que estão vivendo
com HIV/AIDS em Moçambique, e em especial, agora começo
com as crianças.
A história
da Xiluva e do Julinho é uma história que foi criada
para apoiar a educação das crianças no aspecto
do HIV. As duas crianças, ambas filhas de pais soropositivos,
Xiluva soronegativa e Julinho soropositivo. Xiluva vive com os pais,
Julinho vive com os tios pois os pais faleceram. Ambos estão
na escola conversando e Julinho está contando que vai ao
hospital no dia seguinte e que faz isso todos os meses.
Xiluva
não vai mais ao hospital, mas diz a Julinho que seus pais
sempre vão. Julinho diz que sabe que tem uma doença,
mas não sabe qual é. Xiluva não está
doente, mas sabe que os tios têm uma doença que não
tem cura.
Enfim,
a história decorre para preparar as crianças para
a revelação do seu soroestado, aspecto ainda muito
difícil, pois o cuidado com as crianças sempre é
um desafio, já que são profissionais e pais tentando
encontrar uma forma de falar sobre HIV com os seus filhos de maneira
mais natural. Através da revelação que vai
se fazendo de maneira parcial, com o envolvimento dos pais e cuidadores,
tentamos trabalhar e minimizar a discriminação e melhorar
a adesão das crianças de maneira lúdica. Desenvolveu-se
uma ferramenta de suporte (um desenho) que chama-se ‘caminho
da vida’ e é para as crianças pintarem quando
tomam os seus anti-retrovirais e trazerem na próxima consulta.
Envio
também uma foto de uma criança linda comigo no grupo
de apoio para pais e cuidadores realizado no Hospital de Dia e iniciado
em setembro de 2007. Essa atividade que foi nova para o projeto
e que mostra na minha experiência a importância dos
grupos de apoio no fortalecimento da PVHA e no combate à
epidemia do HIV.
Para os próximos diários prometo mais histórias,
menos contos, mais campo, menos sonhos, que vão envolver
a cultura, a diversidade e o que a vida tem de mais bonito: AS PESSOAS!!!
Leia
a segunda parte do diário de bordo
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