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Hoje
completo 360 dias de missão e não haveria melhor oportunidade
para escrever o segundo capítulo do diário de bordo.
Uma mistura de sentimentos ao meu redor, que contemplam meu universo
agora, além de Marisa Monte...
Depois de um
ano, fazer um pequeno balanço tem muito significado após
tantos desafios, algumas frustrações, encontros, desencontros,
pessoas interessantes, pacientes queridos, muito trabalho e, claro!,
o resultado: muitas conquistas! Melhor do que ver, é sentir.
E isso não tem preço!
O HIV faz nós,
profissionais da saúde, pensar o cuidado de outra maneira.
Faz-nos tentar compreender o que fazer de diferente para mudar o
percurso dessa pandemia, que ocupa espaço cada vez maior
no mundo. O interessante é entender que quando falamos de
pessoas, tudo é possível, pois são pessoas
cuidando de pessoas, e mesmo quando o resultado parece tão
distante, ainda vale a pena!
Bom, sem filosofar,
mas entrando no terreno (como dizem aqui), estar em Moçambique
e trabalhar com MSF tem proporcionado uma visão muito diferente
do que vivemos no Brasil. A África tem muito a dar a todos
nós pela sua diversidade, alegria e beleza, mas também
tem de receber no perceber e sensibilizar para aspectos que ainda
são tabus e que também são os motores da velocidade
desta pandemia, como a sexualidade, por exemplo.
O meu dia-a-dia
no trabalho mudou no percurso de um ano. Foi muito fácil
me adaptar a MSF, mesmo sendo minha primeira missão. Também
a Moçambique, país de povo alegre, bonito e com uma
diversidade cultural que sempre me encantou os olhos e o coração.
Chegar ao Hospital
de Dia de MSF, que já tinha uma equipe psicossocial trabalhando
há muitos anos, me integrar e trabalhar sem criar melindres,
de forma a contribuir com a equipe, foi o primeiro desafio. Depois,
mostrar o valor e a importância do psicossocial como parte
dos cuidados para a promoção da saúde integral
(mental e física) das pessoas vivendo com HIV/AIDS e que
o impacto na sua qualidade de vida é outro.
Entre as minhas
visitas ao Hospital de Dia, local que me permitia entender melhor
o projeto, começava ganhar força a descentralização
dos serviços de HIV/AIDS em cinco centros de Saúde.
O objetivo era integrar os cuidados de HIV com o programa do Ministério
da Saúde.
Iniciei
a capacitação da equipe nacional para a melhoria do
cuidado e atenção psicossocial, ao mesmo tempo em
que dividia meu tempo no hospital e no escritório. Desenvolvia
ferramentas de suporte para a equipe nacional, expatriados e, claro,
para os pacientes. Contratamos uma psicóloga e promovemos
outra, ambas como supervisoras das equipes. Quando elas já
ocupavam um lugar no projeto, minha participação no
terreno passou a ser pontual, pois era a fase de dar suporte técnico
às supervisoras para seguirem as atividades nos projetos
cada vez mais de maneira independente.
Leia a primeira parte do diário de bordo
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