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MSF NA MÍDIA

25/11/2005
Solidariedade sem fronteiras

Solidariedade sem fronteiras

Longe daqui, num país que tenta curar as feridas de um terremoto devastador, brasileiros solidários estão socorrendo as vítimas. Eles fazem parte dos Médicos Sem Fronteiras.

E foram acompanhados, no Paquistão, pelos enviados especiais Caco Barcelos e Marco Antonio Gonçalves.

Os dois médicos brasileiros trabalham sete dias por semana, sem descanso. E moram nas barracas dos Médicos Sem Fronteiras no centro da cidade que parece ter sido alvo de um bombardeio.
Há menos de 100 quilômetros do epicentro do terremoto está a cidade de Bar, uma das mais destruídas e é o lugar da primeira missão dos brasileiros no Paquistão.

“Está sendo ótimo morar aqui, o pessoal recebe muito bem a gente, são muito hospitaleiros, a gente acaba conhecendo quase todo mundo aqui”, conta um médico brasileiro.

O acampamento médico funciona dia e noite, mas não há tempo nem espaço para atender tanta gente.

Otávio e Alexandre já tinham experiência em casos de emergência no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os dois se conheceram na tragédia do tsunami na Indonésia e no Paquistão é a segunda vez que formam uma dupla brasileira nos acampamentos dos Médicos Sem Fronteiras.

O anestesista paulistano Otávio Omati foi um dos primeiros a socorrer as vítimas quando ainda estavam isoladas nas montanhas do Himalaia, as mais altas do mundo.

Para o cirurgião carioca Alexandre Charão, esta é a primeira semana de trabalho na região da Caxemira.

Os dois médicos brasileiros passam o dia envolvidos com as cirurgias de fraturas, esmagamentos ou de feridas contaminadas, como a de um menino atingido na perna pela queda de um telhado.

“Corpo estranho, tem muito pedaço de ferro retorcido ou madeira que provoca esse tipo de lesão”, diz o médico Alexandre Charão.

Alexandre e Otávio também cuidam dos feridos que estão internados. A maioria também é de crianças e de pessoas idosas. As enfermeiras muçulmanas ajudam os brasileiros a traduzir a conversa com os pacientes.
Otávio brinca com as diferenças culturais e religiosas que proíbem os homens de cumprimentarem as mulheres com aperto de mão.

“Tem que ser com a canetinha”, diz ele.

Otávio gosta de fotografar seus pacientes para depois dar uma cópia da foto de presente para eles. E costuma visitar as famílias que tiveram grandes perdas como a do homem que tinha sete filhos e perdeu três. Dois morreram durante o terremoto que destruiu a casa deles. O outro, uma filha de 6 anos, foi queimada num acidente com fogo na barraca. Otávio tentou salvá-la, mas não teve jeito.

Uma família, que jamais havia visto um brasileiro os convidou para uma festa. Queria vê-los bem de perto, matar a curiosidade e, principalmente, agradecer aos médicos por terem vindo de tão longe para ajudar o povo da Caxemira.

Os dois médicos brasileiros afirmam que a maior recompensa da missão no terremoto é o agradecimento e o carinho que recebem dos pacientes.

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