HAITI Urgente!

12 de janeiro: um terremoto de magnitude 7.0 atingiu Porto Príncipe, Haiti. 3 milhões de vidas foram afetadas. Mais de 1000 feridos já foram atendidos pelas equipes de Médicos Sem Fronteiras. Estamos enviando mais médicos e cirurgiões, remédios e mantimentos para o Haiti.

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Galeria de fotos: terremoto no Haiti

 




Últimas notícias

27

Jan

MSF foca em cirurgias capazes de evitar amputações
Terceiro centro cirúrgico é aberto em Choscal para retirar tecidos infeccionados de ferimentos das vítimas do terremoto

As atividades médicas no Haiti ainda estão muito focadas no tratamento de pessoas que ficaram feridas no terremoto, com cirurgia e acompanhamento pós-operatório se expandindo. Mas como Rosa Crestani, uma das coordenadoras de emergência de MSF explica, há uma segunda fase a caminho, na qual a maca de operação ainda é central. "Embora tenhamos realizado operações capazes de salvar vidas, agora precisamos conseguir realizar mais intervenções para salvar membros. Isso significa operar as pessoas cujos ferimentos estão se tornando infeccionados e que podem comprometer um membro completo em poucos dias, a não ser que sejam operados. Para lidar com a demanda, estamos abrindo um terceiro centro cirúrgico em Choscal e ainda trabalhando ininterruptamente". MSF também começou a administrar clínicas para procurar por pessoas que precisam de cuidados urgentes, mas que não conseguiram ter acesso a nenhum.

As consequências de maior amplitude do desastre também estão na agenda das equipes de MSF. O impacto mental do desastre está se tornando mais visível nos sintomas apresentados pelos pacientes que chegam às clínicas gerais de MSF. Foi observado na unidade de Leogane que metade das pessoas tratadas no local sofre de trauma psíquico. Perto do Hospital de Carrefour, onde a equipe médica tem mantido clínicas para as pessoas que vivem nos arredores, está começando a ser oferecido alimentação suplementar para algumas crianças.

O hospital em Carrefour registrou alguns de seus dados nos oito dias de atendimento. A equipe realizou cerca de 208 grandes intervenções cirúrgicas e cem simples. Eles realizaram 2,4 mil curativos e 446 pessoas passaram pelas alas neste período. Esses departamentos eram muito perigosos para que os pacientes ficassem neles após o terremoto da semana passada e todos foram transferidos das tendas temporárias para o novo "hospital" improvisado no que antes era uma escola.

Ao mesmo tempo, os esforços para montar unidades de MSF em outras áreas continuam. A equipe que recentemente montou – e encheu – o hospital inflável em Porto Príncipe agora está trabalhando em um plano para criar um "vilarejo" pós-operatório em outro espaço aberto da cidade. As alas seriam novamente feitas de telas, pois o medo de ficar dentro de edifícios sólidos ainda é significante para os pacientes feridos no terremoto. O vilarejo vai oferecer atendimento de enfermagem e de curativos, com fisioterapia e ajuda psicológica para cerca de cem pacientes se recuperando de cirurgias.

 

26

Jan

Cresce necessidade por recursos de enfermagem
Com muitos pacientes operados, equipes de MSF enfrentam desafio de encontrar leitos e oferecer acompanhamento pós-operatório às vítimas do terremoto

hospital inflávelAs duplas pressões no Haiti, de necessidade de cirurgias e crescente demanda por atendimento pós-operatório, estão consumindo o trabalho de muitas equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país. Na capital Porto Príncipe, o Hospital Choscal, localizado na comunidade desfavorecida de Cité Soleil, ainda está operando cerca de 20 a 25 pessoas por dia.  Na cidade de Leogane, onde MSF começou recentemente a realizar cirurgias no hospital local, 30 pacientes já foram operados e agora há 40 na lista de espera. Em Martissant, onde o centro cirúrgico começou a funcionar logo após o terremoto, há 20 pessoas com fraturas expostas na sala de espera.

Mas porque muitas pessoas já foram operadas e precisam de alguma forma de acompanhamento, a pressão por leitos e recursos de enfermagem é enorme. MSF acaba de identificar um novo prédio, que funcionava como enfermaria no centro de Porto Príncipe, que pode ser usado para ajudar a acomodar essas pessoas, enquanto outra estrutura na cidade, em Bicentenaire, está aberta para receber os casos pós-operatórios. Um substituto para o antigo e danificado hospital em Carrefour foi encontrado ao lado, em uma escola, e os pacientes já foram transferidos para o local. A maior mudança nos recursos de MSF atualmente tem sido a abertura do hospital inflável em um terreno na cidade.

Essas equipes começaram a realizar cirurgias e têm espaço para cerca de 180 pacientes nas alas das tendas. Terríveis lembranças do que aconteceu com os prédios durante o terremoto fizeram com que muitos pacientes tenham medo de ficar dentro de uma estrutura de concreto. As paredes finas e flexíveis do hospital de campanha fazem toda a diferença.

 "Os pacientes se sentem menos ansiosos aqui”, conta Veronica Chesa, enfermeira do que chamamos agora Hospital Saint-Louis. “Eles têm menos dificuldades para adormecer e notei uma redução nos pedidos por sedativos”.

O impacto psicológico do terremoto representa um grande desafio para todos que estavam no país e MSF tem aumentado seu número de especialistas. Atualmente, há 18 psiquiatras e psicólogos oferecendo apoio para os pacientes e equipes médicas que trabalharam durante o desastre. “O primeiro passo é oferecer informação psicológica básica, para explicar que eles não estão loucos, mesmo se estão estressados”, explica Dr.German Casas, psiquiatra de MSF. Sua mensagem fundamental é que “é normal sentir ansiedade, é normal ter medo. É bom ter medo, porque isso te protege”.

Fora da capital, na cidade de Grand Goave, os primeiros estágios da distribuição de itens essenciais, como sabonete, baldes e cobertores estão bem encaminhados.  Mais de 1,3 mil famílias receberam esses itens nos últimos dois dias, enquanto em Jacmel, o mesmo número deve ser alcançado até o fim do dia. Leogane é a próxima cidade a ter distribuição de cerca de 1,2 mil kits.

Em Porto Príncipe, a equipe de nefrologistas continua a administrar diálises. Eles realizaram 50 procedimentos até agora. Stefaan Maddens é um nefrologista de MSF que trabalhou alguns dos primeiros casos e alerta para a necessidade de encontrar novos pacientes em toda a capital.

"A coisa mais importante que temos de fazer é comunicar a todos os cirurgiões, todos os médicos que estão trabalhando aqui em Porto Príncipe, não apenas equipes de MSF, claro, mas para todos que estão atendendo feridos, que existe a possibilidade de tratar falência renal”, afirma Maddens. “Nós temos a capacidade total de sete máquinas e isso significa que podemos atender muitos pacientes por dia e também a maioria das pessoas para as quais esse procedimento é capaz de salvar vidas”.

25

Jan

Equipes haitianas continuam trabalhando apesar de perdas pessoais
Muitos dos profissionais de MSF perderam no terremoto suas casas, amigos e parentes

O cirurgião haitiano Philippe Brouard trabalha com Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Hospital Trinité, em Porto Príncipe, desde 2006. Na manhã seguinte ao terremoto, ele veio trabalhar no centro de cirurgia de trauma apenas para descobrir que a maior parte da unidade havia desmoronado. Dois de seus colegas e vários pacientes haviam morrido.

MSF retirou imediatamente da unidade os pacientes que sobreviveram, para que eles pudessem continuar a ser tratados no pátio, enquanto feridos de todas as partes surgiram no local onde antes ficava o hospital. Dr. Brouard fez a triagem naquele primeiro dia, identificando pacientes que precisavam de atenção médica urgente. No segundo, ele já estava realizando amputações em um centro cirúrgico improvisado, porque os que existiam na estrutura danificada não podiam mais ser usados.

"Os pacientes continuavam pedindo sua atenção, te tocando", lembra Brouard. "Por favor, doutor, aqui, não me esqueça, diziam. Você faz o máximo que pode, mas há sempre muitas pessoas te chamando. Claro que somos forçados a priorizar alguns casos, mas enquanto estamos vendo um paciente, tentamos confortar os outros, dizendo palavras gentis: não se preocupe, não vamos te esquecer".

Dr. Brouard se sente com sorte porque sua família está segura e sua casa ainda está de pé, mas ele não saiu incólume do terremoto. "Foco nos pacientes o dia inteiro – você cura as pessoas –, mas quando vai para casa, vê o estado de seu país e isso te afeta", conta ele. "Você vê o mercado que desabou, o banco sobre risco de ruir. Você não consegue parar de pensar em como vai ser a vida em uma semana, em um mês, em um ano".

Diferentemente do Dr. Brouard, muitos outros integrantes da equipe nacional de MSF perderam suas casas e parentes. Charles Joseph, assistente social de MSF no Hospital Martissant, perdeu um primo e sua casa foi completamente destruída pelo terremoto.

"Agora estamos nas ruas com as crianças, minha mulher, todo mundo", diz ele. "Eu tenho que vir trabalhar porque isso é um desastre e me diz respeito, diz respeito a todo mundo. Se as pessoas de outros países podem arriscar suas vidas e vir para cá para curar as pessoas, eu, como haitiano, tenho de fazer o mesmo".

O compromisso e trabalho duro da equipe haitiana de MSF foram fundamentais para salvar vidas logo após o terremoto. Antes do desastre, a organização tinha mais de 800 haitianos trabalhando em três hospitais na capital. MSF confirmou que quatro funcionários morreram no terremoto e seis outros continuam desaparecidos.

O presidente internacional de MSF, Dr. Christophe Fournier, foi a Porto Príncipe para oferecer os mais profundos pêsames aos colegas haitianos que continuaram a trabalhar, apesar da tragédia tê-los atingido pessoalmente e nacionalmente.

"Gostaria de dizer a vocês que todos em MSF, em todo o mundo, compartilham sua dor, sua perda”, disse Fournier em um encontro com a equipe haitiana no Hospital Martissant. “Nossos pensamentos estão com vocês. Muitos perderam suas casas, amigos, parentes. Ainda assim, estão aqui trabalhando duro para salvar vidas, para tratar pessoas. Em nome de todos os integrantes do movimento MSF, gostaria de agradecê-los e dizer que estamos todos juntos e que vamos oferecer apoio enquanto vocês se recuperam desse desastre".

Nas ruas de Porto Príncipe, as pessoas lutam para dar seguimento a suas vidas em meio aos destroços.

"Estamos acostumados com furacões, mas um terremoto foi a última coisa que esperávamos", explica Brouard. "Vai levar tempo para nos recuperar. Esse país perdeu uma grande quantidade de material, também perdemos capital humano. Perdemos grandes mentes, algumas pessoas brilhantes. Eles têm de ser substituídos, vai levar tempo. O que vai acontecer a esse país"?

24

Jan

Haiti: Atendimento muda de foco para acompanhar as necessidades
Equipes se desdobram para dar conta de casos de emergência, de feridos infeccionados, doentes crônicos, partos e cuidados de saúde primários

atendimentoO atendimento de emergência que as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão realizando no Haiti está começando a mudar de ênfase para os novos níveis de necessidades da população local. Em algumas partes de Porto Príncipe, as equipes começaram a transferir para seus hospitais os pacientes que tiveram infecções ou complicações devido a tentativas básicas ou não especializadas realizadas nos primeiros dias após o terremoto. A pressão por atendimentos médicos não diminuiu, no entanto. A questão agora é como absorver o crescente número de pacientes que precisam de atendimento pós-operatório, assim como dos que têm doenças crônicas, que estão em trabalho de parto ou necessitam de cuidados primários de saúde.

Ao mesmo tempo, as equipes de MSF ainda estão lidando com muito casos de pacientes precisando de cirurgia. No Hospital Chancerelle, o segundo centro cirúrgico está sendo restaurado e preparado para funcionar. No Hospital Choscal, o centro cirúrgico tem recebido emergências obstétricas e alguns pacientes com ferimentos a bala e por machete. Na cidade de Les Cayes, MSF começava a oferecer apoio ao hospital e a operar, quando recebeu 150 pessoas gravemente feridas que haviam sido transferidas da capital para lá, de alguma forma. O hospital inflável de MSF em Porto Príncipe está sendo preparado para realizar suas primeiras cirurgias nessa segunda-feira. Outros 80 pacientes estão sendo transferidos do Hospital Trinité para se juntar aos cem de Pacot que estão nas tendas infláveis. Em um hospital de campanha de MSF, ao lado do Hospital de Carrefour, cerca de 40 pessoas foram operadas, 60 foram internadas e 350 consultas foram realizadas.

As consequências psicológicas da catástrofe também estão se tornando mais claras. MSF tem uma experiência significante em saúde mental em áreas de desastres e tem especialistas no Haiti que têm trabalhado em seus hospitais e com equipes da organização que já estavam no país quando houve o tremor e que sofreram trauma devido aos eventos.

Outra necessidade emergente é por suprimentos básicos para ajudar as famílias a lidar com a destruição de seus lares e pertences. MSF está começando a distribuir kits, o que inclui cobertores, sabonete e utensílios de cozinha para as famílias da cidade de Jacmel. As equipes devem aumentar essas doações em outros lugares e hoje devem realizar a primeira entrega desses kits, que vão chegar por barco a Porto Príncipe. A carga total que deve ser enviada para a capital nas próximas semanas, por todos os meios de transporte, é de 20 mil kits contendo esses itens vitais.

22

Jan

Equipes de clínicas móveis atendem em Porto Príncipe e a oeste da capital
Unidades têm encontrado um número significante de pessoas com necessidade de cuidados urgentes

Enquanto os maiores hospitais de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Porto Príncipe e tendas montadas em seus arredores continuam a funcionar, tratando feridos e realizando operações, as equipes móveis que começaram a funcionar na capital, e em alguns locais ao oeste de Porto Príncipe, estão encontrando um número significante de pessoas precisando de atendimento médico. Como todos os hospitais em funcionamento na cidade ficaram sobrecarregados nos últimos dez dias com pessoas gravemente feridas, as doenças mais rotineiras ou crônicas têm sido difíceis de ser manejadas. As equipes das unidades móveis acreditam que esses pacientes com doenças e ferimentos menos urgentes podem facilmente piorar se negligenciados.

Em seu primeiro dia na capital, as clínicas localizaram cerca de 200 pessoas que precisavam de ajuda para limpar seus ferimentos, trocar curativos, levar pontos ou receber atendimento mais especializado em um dos hospitais de MSF. Nas regiões de Leogâne e Grand-Goâve, as equipes de MSF identificaram dezenas de feridos que precisam de atendimento cirúrgico e transferiram-nos para o hospital.

Em uma das regiões mais pobres de Porto Príncipe, Cite Soleil, onde MSF realiza mais de 30 cirurgias por dia, a equipe está observando o aumento do número de pessoas admitidas com ferimentos causados por balas ou machetes. Apesar de ter havido um aumento perceptível na tensão da região, os números são relativamente baixos, uma média de três por dia. Marie- Christine Ferir, uma das coordenadoras de emergência de MSF, afirma que os casos devem ser vistos em perspectiva. “Muito antes desse terremoto, essa já era uma área muito desfavorecida, com muitos problemas sociais e com um histórico de violência. Claramente, a tensão vai aumentar pelo estresse causado pelo terremoto”.

Outras equipes de MSF têm trabalhado na questão de encontrar e montar as unidades de saúde necessárias para tratar e abrigar os pacientes sob tratamento. O novo tremor registrado na quarta-feira complicou o que já era uma necessidade aguda, uma vez que dois hospitais em Porto Príncipe e outro em Leogane tiveram de ser evacuados porque não eram mais seguros. Pacientes tiveram de ser transferidos para as tendas e cem deles para o hospital inflável que está sendo montado.

Apesar do número geral de integrantes de MSF ter aumentando na emergência rapidamente, levou-se muito tempo para encontrar alguns dos funcionários haitianos que trabalhavam nos projetos antes mesmo do terremoto.

Muitos deles voltaram a trabalhar, apesar do que aconteceu com suas famílias e bairros. Mas MSF tem que registrar, com muito pesar, o fato de que quatro de nossos colegas foram sido mortos. Outros quatro que recentemente trabalhavam conosco também perderam suas vidas e estamos tentando confirmar o que aconteceu com outros seis funcionários, que ainda estão desaparecidos.

 

21

Jan

MSF dá início a atividades de clínica móvel em Porto Príncipe
Nove dias após terremoto no Haiti, desafios são implementar serviços pós-operatórios e de fornecimento de água potável

As equipes de Médicos Sem Fronteiras em Porto Príncipe e seus arredores ainda estão focadas no atendimento e realização de procedimentos cirúrgicos das vítimas do terremoto registrado há nove dias no Haiti. As operações nos centros cirúrgicos dos principais hospitais da capital continuam, mas há novos desafios surgindo com o início do serviço de clínicas móveis na capital, do fornecimento de água e dos esforços para implementar um serviço de cuidados pós-operatório.

Com mais de 900 pacientes atendidos nas unidades de MSF e com o número crescente de pessoas com falência renal tendo acesso à diálise, há uma significante necessidade de especialistas e, algumas vezes, de tratamento de longo prazo, como fisioterapeutas e apoio psicológico. Ao mesmo tempo, houve uma ampliação de serviços cirúrgicos no Haiti, uma vez que outras organizações médicas, incluindo os militares, fortaleceram seu trabalho. O tratamento pós-operatório vai começar logo a se tornar uma grande demanda e MSF está começando a organizar unidades de cuidados pós-operatórios.

“Quando você tem essa grande quantidade de pessoas com ferimentos profundos, fraturas expostas e membros esmagados, quanto mais rápido e em maior quantidade você agir, melhor”, explica Xavier Lassalle, um dos conselheiros médicos de MSF. “Mas atender essas necessidades cirúrgicas e médicas vai levar meses e, geralmente, muitas dessas equipes cirúrgicas de emergência não ficam mais do que semanas no país. A maioria dos pacientes tem ferimentos infeccionados em seus braços e pernas e vão ter de ser submetidos a várias operações para retirar os tecidos mortos. Depois terão de passar por cirurgias ortopédicas e reconstrutivas. Isso requer atendimento pós-operatório por semanas”.

Os esforços para garantir um espaço adequado de trabalho para MSF também foram abalados com os tremores registrados nesta quarta-feira. No Hospital Carrefour, que tem sido um centro chave para cirurgia e tratamento geral, a equipe está ocupada montando novas unidades em uma escola vizinha, uma vez que se tornou claro que o prédio principal não é mais seguro. Há tendas adicionais no pátio também.

Enquanto isso, engenheiros especialistas realizaram uma avaliação da estabilidade do prédio dos hospitais de Choscal e Pacot, após o tremor de 6.1 graus na escala Richter. O Hospital Choscal ainda é seguro, apesar de os pacientes preferirem ficar nas tendas montadas no lado de fora. Mas o prédio de Pacot tem risco de ruir, então a equipe está organizando a transferência de pacientes para outro lugar. À medida que o hospital inflável é montado, a equipe de MSF está se preparando para o desafio logístico de transferir os pacientes que ainda precisam de operações para o departamento de cem alas.

Pela primeira vez nesta emergência, MSF deu início ao serviço de clínicas móveis, em algumas áreas particulares da cidade. Então as equipes estão começando a trabalhar nos bairros de Carrefour Feulle e Delmas 77, localizando pessoas que ainda precisam de tratamento ou que têm necessidades médicas gerais. Ao mesmo tempo, outro projeto teve início para fornecer água potável a 7 mil pessoas que perderam suas casas. Fora da cidade, as equipes de MSF continuam a visitar áreas onde ainda não há atendimento médico. O trabalho acabou de começar em Leogane, com consultas gerais e cirurgias, enquanto as clínicas móveis começaram a contatar pessoas em áreas como Grand Goave e Duforf, onde cerca de 20 pessoas que precisam de cirurgias graves também foram encontradas.

21

Jan

Equipes continuam a trabalhar mesmo após novos tremores no Haiti
Cerca de 130 cirurgias estão sendo realizadas diariamente, em dez centros cirúrgicos

cirurgia As equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) têm trabalhado com longas filas de pacientes que esperam por tratamento e cirurgia, mesmo depois de Porto Príncipe ter sido sacudida novamente por um abalo sísmico nesta manhã. No Hospital Choscal, onde dois centros cirúrgicos estão funcionando ininterruptamente há dias para dar conta dos gravemente feridos, os pacientes estavam tão alarmados pelo tremor que mais uma vez tiveram de ser retirados do prédio e colocados em tendas montadas na parte de trás. Os centros cirúrgicos continuaram a trabalhar com quatro equipes se revezando durante o dia.

No Hospital Carrefour, a equipe começou a oferecer apoio psicológico para os pacientes que tiveram seus membros amputados e às suas famílias. Uma forma diferente de cuidados intensivos pós-operatório está a caminho, enquanto o trabalho de fisioterapia com pessoas com queimaduras começou em outro hospital e a diálise para vítimas da síndrome do esmagamento continua no Hospital Geral. Seis pacientes já foram tratados com diálise e a equipe está usando um teste para identificar outros pacientes com ferimentos que precisem deste tipo de tratamento intensivo.

Cada centro cirúrgico funcional está sendo usado dia e noite, enquanto logísticos estão correndo para montar novos ou reabilitar os danificados.

As equipes cirúrgicas de MSF estão realizando uma média de 130 operações por dia e esse número vai aumentar ainda mais, uma vez que novas equipes cirúrgicas começarem a trabalhar. No momento, há dez centros cirúrgicos, sete em hospitais de Porto Príncipe (Choscal, Trinité, Carrefour e Chancerelle) e três em cidades a oeste da capital (Leogane e Jacmel). Além disso, procedimentos cirúrgicos menores, como limpeza e remoção de tecidos mortos dos ferimentos, estão sendo realizados em pequenos centros cirúrgicos em Trinité e Pacot.

A capacidade de atendimento vai aumentar ainda mais brevemente, uma vez que centros cirúrgicos adicionais estão sendo preparados em Porto Príncipe e no oeste da ilha (Leogane e Grand-Goave). O hospital inflável com dois centros cirúrgicos e cem leitos está sendo montado em um terreno na capital. A equipe de construção espera tê-lo funcionando na sexta-feira pela manhã.

20

Jan

Falta de materiais prejudica atendimentos
Atraso na chegada de remédios e equipamentos impede que um número maior de haitianos receba cuidados

As enfermarias e salas de operação de MSF em torno de Porto- Príncipe, Haiti, continuam trabalhando com uma carga muito pesada de casos e o pessoal médico está cada vez mais preocupado com os problemas de suprimento que estão começando a ameaçar o bem estar dos pacientes.

Medicamentos para tratamento cirúrgico e equipamentos como máquinas de diálise são urgentemente necessários, mas problemas de acesso para a chegada das cargas está causando atrasos na entrega.

Loris de Fillipi, coordenador do trabalho de MSF no hospital de Choscal em Cite Soleil, diz que a posição lá e em outros locais é problemática.

“É a parte mais difícil do nosso trabalho. A todo momento que saímos das salas de operação vemos rostos nos implorando por cirurgias. E eles estão lá, nos implorando na frente do hospital. É uma situação muito inaceitável. O que nós estamos tentando fazer é expandir nossa capacidade de responder a esses pedidos. Mas nós precisamos que os suprimentos cheguem no aeroporto”.

No hospital de Carrefour, onde a equipe médica também está enfrentando condições muito difíceis, Paul MacMaster, um cirurgião, diz que todas as necessidades são muito óbvias.

“Não estamos sendo capazes de pegar o equipamento que precisamos no hospital por causa desses problemas de entrega. Nós esgotamos nosso gesso para fraturas e não temos ataduras no momento. Tem sido um pesadelo conseguir esses materiais básicos.”

Em outro hospital de MSF, em Martissant, onde mais de 1,5 mil pacientes receberam tratamento desde o terremoto, existem no momento 120 pessoas para serem tratadas, 20 delas com casos de queimaduras.

Atualmente, MSF tem outras seis locações onde está lidando com uma variedade similar de lesões causadas pelo terremoto. Uma das mais recentes estruturas estabelecidas é na enfermaria de diálise do grande Hospital Geral da cidade, onde MSF está trabalhando com uma máquina que sobreviveu ao tremor. A equipe de nefrologia de MSF realizou seu primeiro tratamento ontem e vai expandir seu trabalho quando novos aparelhos de diálise chegarem pela estrada da República Dominicana.

Um dos locais mais duramente atingidos fora da capital, a cidade de Leogane, também é um novo centro para o trabalho de MSF. Uma equipe tem dado suporte a uma escola de enfermagem, no local onde são realizados cuidados básicos. Na mesma cidade, outra equipe está preparando quatro salas de cirurgia no que costumava ser um hospital missionário. O objetivo é criar um centro de referência na região.

Em Jacmel, outra cidade fortemente afetada, uma equipe de MSF começou a realizar cirurgias nas salas de operação do hospital. Ao mesmo tempo, em Porto Príncipe, o trabalho de montagem do hospital inflável de MSF, que oferece duas salas de operações, já foi iniciado. Ocorreu um atraso na chegada de material e pessoal devido ao desvio de um avião de carga para a República Dominicana.

19

Jan

Avião de MSF novamente impedido de aterrissar em Porto Príncipe
Aeronave transportava suprimentos médicos essenciais para salvar as vidas das vítimas do terremoto no Haiti

Um avião de carga de Médicos Sem Fronteiras (MSF) transportando 12 toneladas de equipamento médico - incluindo remédios, suprimentos cirúrgicos e duas máquinas de diálise -, foi impedido de pousar por três vezes no Aeroporto de Porto Príncipe desde domingo à noite, apesar das repetidas promessas de que teria sua aterrissagem autorizada. As 12 toneladas de carga estavam antes em um avião que transportava 40 toneladas de suprimentos e que foi impedido de pousar no Haiti no domingo pela manhã. Desde o dia 14 de janeiro, MSF teve 15 aviões desviados de Porto Príncipe, seu destino original, para a República Dominicana. Esses aviões carregavam 85 toneladas de suprimentos médicos e emergenciais.

"Cinco de nossos pacientes no Centro de Saúde Martissant morreram devido à falta de suprimentos médicos, que estavam neste avião", contou Loris de Filippi, coordenador de emergência para MSF no Hospital Choscal em Cite Soleil. "Nunca vi nada assim. Qualquer hora que eu saia dos centros cirúrgicos, vejo um monte de pessoas desesperadas, pedindo para serem operadas. Hoje, havia 12 pessoas que precisavam de amputações no Hospital Choscal, que salvariam suas vidas. Nós tivemos de comprar uma serra no mercado para continuar as amputações. Estamos correndo contra o tempo".

Mais de 500 pacientes que precisam de cirurgia foram transferidos do centro de saúde MSF em Martissant para o Hospital Choscal, com mais de 230 operados desde quinta-feira. As equipes de MSF trabalharam nas primeiras horas depois do terremoto e essas cargas são vitais para que eles possam continuar a oferecer atendimento médico essencial para as vítimas do desastre. Em cinco diferentes locais na cidade, MSF tem oferecido atendimento primário para cerca de 3 mil pessoas e realizou mais de 400 cirurgias.

"É como trabalhar em uma guerra", diz Rosa Crestani, coordenadora médica de MSF no Hospital Choscal. "Não temos mais morfina para administrar a dor de nossos pacientes. Não podemos aceitar que esses aviões que trazem material capaz de salvar vidas e equipamentos continuem impedidos de pousar, enquanto nossos pacientes morrem. Deve ser dada prioridade à entrada de suprimentos médicos no país".

Muitos dos pacientes retirados dos escombros de prédios que ruíram enfrentam grande risco de morrer por septicemia e as conseqüências da "síndrome do esmagamento", condição na qual tecidos musculares danificados liberam toxinas para corrente sanguínea, podendo levar à falência dos rins. Máquinas de diálise são vitais para manter vivos pacientes com essas doenças.

Outros dois aviões transportando um total de 26 funcionários humanitários de MSF foram desviados para a República Dominicana. MSF conseguiu fazer com que cinco aviões pousassem em Porto Príncipe, carregando um total de 135 toneladas de suprimentos. Outras 195 toneladas de suprimentos vão ter de receber permissão para chegar no aeroporto nos próximos dias para que MSF continue a ampliar suas ações de emergência no Haiti.

Mais de 700 funcionários de MSF estão trabalhando para oferecer atendimento médico emergencial para os sobreviventes do terremoto em Porto Príncipe e nos arredores. Equipes de MSF estão trabalhando atualmente no Hospital Choscal, Centro de Saúde Martissant, Hospital Trinite, Hospital Carrefour, Hospital Jacmel, e estão implementando um hospital inflável de cem leitos na região de Delmas. Eles estão realizando levantamentos em outros locais fora da capital também.

18

Jan

MSF já atendeu mais de 3 mil pessoas no Haiti
Equipes procuram novos locais para expandir serviços na capital e arredores

cirurgiaAs equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Porto Príncipe ainda estão sobre grande pressão, procurando por mais unidades onde cirurgias de urgência possam ser realizadas e tentando reabastecer os suprimentos médicos. Cerca de 3 mil pessoas já receberam atendimento médico primário e outras 400 foram operadas na capital do Haiti. Os ferimentos mais sérios são fraturas expostas, traumas cranianos e infecções que necessitam de amputação. Simultaneamente, MSF tem viajado para áreas fora da cidade e está prestes a estender seus serviços médicos para essas populações.

Marie-Christine Ferir, uma das coordenadoras médicas de MSF, afirma que a posição geral no momento ainda é muito difícil e que os feridos ainda estão esperando muito tempo por ajuda. “Os hospitais que ainda estão de pé estão lotados. Apesar de ter havido um pequeno aumento na capacidade cirúrgica em Porto Príncipe, com a expansão da capacidade de atuação de MSF e com a chegada de outras organizações, ainda falta muito para que o número de pacientes que necessitam urgentemente de cirurgia seja absorvido. Nós estamos priorizando o atendimento das pessoas com ferimentos graves, nas quais a intervenção cirúrgica pode salvar vidas”.

As partes do hospital inflável com dois centros cirúrgicos vão chegar nesta segunda-feira em Porto Príncipe. Algumas chegaram no domingo no aeroporto e o resto teve de vir por terra da República Dominicana. Um terreno foi escolhido par servir de locação para o hospital e os trabalhos de montagem tiveram início nesta segunda-feira.

Outras equipes de MSF visitaram áreas fora da cidade e encontraram danos substanciais e um grande número de feridos. Em Jacmel, na costa sul muito próximo ao epicentro do terremoto, cerca de 60% dos hospitais foram destruídos. O hospital ruiu parcialmente, mas o centro de cirurgia ainda pode ser usado. MSF vai começar a trabalhar no local o mais breve possível, apesar das estradas estarem bloqueadas. Em Saint-Marc, a 40 quilômetros norte ao longo da costa, os danos não são tão grandes, mas muitas pessoas vindas de Porto Príncipe se aglomeraram no local e MSF espera montar outro centro médico lá. Leogane, a oeste da capital e também gravemente afetada pelo terremoto, é outro local onde MSF abriu uma nova unidade de tratamento.

Os suprimentos médicos são uma preocupação. Grandes quantidades já foram usadas nos últimos seis dias e há uma dificuldade real em repô-las. Vôos para Porto Príncipe ainda estão bastante restritos. Um avião de carga deveria chegar ontem com estoques, mas foi desviado para a República Dominicana e as estradas de lá para o Haiti andam muito congestionadas.

A situação da equipe tem melhorado. Mais de 130 profissionais internacionais conseguiram chegar ao país após o terremoto.

Eles estão reforçando as ações realizadas nos primeiros dias pelas equipes que já estavam no país antes do tremor, particularmente dos profissionais haitianos que frequentemente vêm trabalhar, apesar de muitos deles terem suas vidas destruídas ou até mesmo perdido integrantes de suas famílias. MSF ainda está tentando localizar alguns de seus colegas e não conseguiu confirmar o paradeiro de todos os funcionários. MSF reconhece que alguns deles provavelmente não sobreviveram ao terremoto.

18

Jan

Equipes trabalham ininterruptamente para dar conta de necessidades no Haiti
Cerca de 200 cirurgias foram realizadas apenas no primeiro dia de funcionamento dos centros cirúrgicos. MSF continua tentando aumentar sua capacidade de atendimento

No quinto dia de resposta ao terremoto no Haiti, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuam focadas na tentativa de dar conta da enorme demanda por cirurgias. Os profissionais médicos estão utilizando ao máximo os limitados centros cirúrgicos existentes, trabalhando ininterruptamente. Ao mesmo tempo, tentam aumentar a capacidade de atendimento, através da busca de novos locais para atender as pessoas e de transporte de estruturas móveis.

No recém aberto hospital no distrito de Carrefour, a equipe cirúrgica de MSF realizou 90 operações apenas no primeiro dia de funcionamento dos centros cirúrgicos – que se iniciou duas horas após a descoberta dessa estrutura de saúde. A equipe cirúrgica que está no Hospital Choscal também realizou 90 operações. Outro grupo está trabalhando em um container, onde realizou 20 cirurgias.

A capacidade de ação deve aumentar, mas a implementação do hospital inflável com dois centros cirúrgicos teve de ser adiada porque um dos aviões de carga, que transportava o equipamento necessário, não teve permissão para aterrissar em Porto Príncipe. A aeronave foi desviada para a República Dominicana. A outra parte do hospital chegou no domingo, mas MSF ainda teme que suprimentos vitais fiquem presos.

As condições de vida nas cidades fora da capital, algumas até mais próximas do epicentro do tremor, estão ficando mais claras. Uma equipe de MSF planeja ir de helicóptero para a cidade de Jacmel, na costa sul da ilha. Outra equipe de MSF tem realizado levantamentos das necessidades em Legoane, localizada a uma hora fora de Porto Príncipe. Em Saint Marc, uma área menos danificada pelo terremoto, de onde milhares de pessoas fugiram, há centenas de feridos no hospital.

Apesar dos problemas de transporte, MSF conseguiu trazer cem funcionários internacionais extras para ajudar as equipes que já trabalhavam no Haiti antes do tremor. Os especialistas incluem cirurgiões, anestesistas, nefrologistas e psicólogos. Muitos deles tiveram de vir por terra desde o aeroporto da República Dominicana, mas MSF conseguiu fazer com que quatro aviões de carga pousassem em Porto Príncipe na quarta-feira, com equipes e toneladas de material de emergência.

As equipes no terreno afirmam que as condições certamente não estão melhorando ainda para as pessoas que estão nas ruas. A falta de comida e água potável está provocando um estresse ainda maior. MSF ainda está tentando encontrar toda sua equipe haitiana, sabendo que alguns deles provavelmente não sobreviveram ao terremoto, mas as comunicações continuam difíceis e não tivemos ainda como localizar todos nossos colegas.

17

Jan

Avião de Médicos Sem Fronteiras é impedido de pousar em Porto Príncipe. Aeronave trazia material médico e cirúrgico e foi reenviada para a República Dominicana, provocando atraso na implementação do hospital inflável

Médicos Sem Fronteiras (MSF) pede que seus aviões de carga, que transportam material médico e cirúrgico essencial, tenham permissão para aterrissar em Porto Príncioe, para que mlhares de feridos que esperam por cirurgias possam ser tratados. A prioridade deve dos aviões que transportam equipamentos para salvar vidas e equipes médicas.

Apesar das garantias dadas pelas Nações Unidas e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, um avião de carga de MSF que transportava um hospital inflável foi impedido de pousar em Porto Príncipe no sábado e foi posto em rota para Samana, na República Dominicana. Todos os materiais que estavam no avião estão sendo agora transportados em caminhões, o que representa um atraso de 24 horas para a chegada do hospital.

Um segundo avião de MSF está a caminho e deve pousar neste domingo em Porto Príncipe, por volta das 10h (hora local), com material médico extra e o restante do equipamento do hospital. Se esse avião também for desviado para Samana, a instalação do hospital inflável sofrerá um atraso ainda maior, o que pode significar um grande problema haja visto os milhares de feridos que necessitam urgentemente de tratamento.

O hospital inflável tem capacidade para cem leitos e inclui dois centros cirúrgicos, uma unidade de tratamento intensivo, uma sala de emergência e todos os equipamentos necessários para esterilizar material.

As equipes de MSF estão trabalhando ininterruptamente em cinco diferentes hospitais em Porto Príncipe, mas apenas dois centros cirúrgicos estão de fato funcionando. Um terceiro foi montado de maneira improvisada para a realização de procedimentos menores, devido ao grande fluxo de feridos e falta de estruturas de referência.

16

Jan

MSF aumenta suas atividades emergenciais no Haiti Equipes médicas estáo trabalhando 24 horas por dia, dando prioridade a cesarianas e amputações. Cerca de 70 profissionais extras já chegaram à capital

As unidades médicas montadas por Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Porto Príncipe, capital do Haiti, continuam a funcionar 24 horas por dia, para atender o grande número de pacientes com ferimentos devido ao terremoto de magnitude 7.0 que atingiu o país na terça-feira ä noite. Dando prioridade aos casos mais sérios, as equipes têm realizado cesarianas e amputações. Equipes médicas experientes de MSF afirmam nunca ter visto tantos casos de ferimentos graves.

No Hospital Choscal, onde MSF se realocou após ter suas unidades de saúde seriamente danificadas pelo terremoto, o centro cirúrgico tem funcionado sem parar desde a manhã de sexta-feira. Em Trinite, onde nossa equipe tem atendido os feridos debaixo de tendas montadas nos fundos da unidade destruída pelo tremor, as cirurgias têm sido realizadas em um centro cirúrgico improvisado. No bairro de Carrefour, um distrito gravemente afetado, MSF começou a trabalhar em um hospital com duas salas de cirurgia.

Hans van Dillen, um dos coordenadores de operação de MSF em Porto Príncipe, afirma que houve reação imediata. "Quando as pessoas descobriram que estávamos operando em Carrefour, começaram a se aglomerar na entrada. Os pacientes estão sendo trazidos em carrinhos de mão e carregados nas costas por pessoas. Há outros hospitais na região, mas estáo superlotados com feridos e têm números limitados de profissionais haitianos e suprimentos.

A luta para encontrar ainda mais prédios que possam ser usados para trabalhar continua, assim com os esforços de enviar ao país mais equipes médicas e suprimentos. A maior dificuldade é o funil que se tornou o aeroporto, que vetou um grande número de aterrisagens de aviões de carga. A falta de autorização para pousar no aeroporto provocou um atraso de 24 horas no cronograma de chegada do hospital inflável de MSF, tão necessário neste momento.

MSF conseguiu enviar ao país mais de 70 profissionais extras, a maioria deles através da vizinha República Dominicana. Eles estão começando a assumir as funções de alguns dos 30 funcionários internacionais que trabalhavam em Porto Príncipe antes do terremoto.

Está claro também que uma parte de nossa equipe haitiana não sobreviveu à catástrofe. MSF ainda está tentando localizar o paradeiro de outros funcionários e está profundamente preocupada com seu bem estar.

As equipes afirmam que a alimentação e a água sáo grandes preocupações e que sua falta faz aumentar a tensão na cidade. Há um pequeno sinal de distribuição de ajuda e há crescentes relatos de saques, não acompanhados de violëncia, no entanto.

As atividades de MSF estão aumentando rapidamente e os próximos passos são realizar levantamentos em diferentes partes da cidade, onde espera-se que as necessidades sejam igualmente grandes. Para dar conta da enorme necessidade e variedade de assistência necessária, MSF espera dar início em breve a outras atividades médicas, incluindo clínicas móveis onde não há unidades de saúde funcionando. Os atendimentos de saúde mental também serão oferecidos às pessoas traumatizadas pela catástrofe..

15

Jan

Dois centros cirúrgicos já começaram a funcionar no Hospital Choscal, para atender cerca de 300 pacientes

As equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) que atuam em Porto Príncipe, capital do Haiti, estão focando sua atenção na expansão de sua capacidade cirúrgica. Dois centros cirúrgicos estão agora funcionando, para atender 300 pacientes que foram transferidos para a unidade de MSF no Hospital Choscal, no distrito de Cité Soleil. Na tarde desta sexta-feira, 25 novos funcionários de MSF devem juntar-se às equipes de MSF que já estão em Porto Príncipe.

O resto da equipe médica ainda está atendendo as centenas de pacientes em suas clínicas, que precisam de primeiros socorros e cuidados mais básicos para seus ferimentos. Os equipamentos puderam ser recuperados do Hospital Maternidade Solidarité e levados para Choscal. É uma corrida contra o tempo porque os ferimentos infectados precisam de intervenções rápidas. Salas de operação infláveis e mais cirurgiões estão a caminho. Há grandes problemas de transporte e acesso de regiões, com equipes impedidas de avançar por terra e pelo ar.

O atendimento médico nas tendas continua a ser realizado em frente ao Hospital de Trauma Trinité e o Centro de Reabilitação Pacot. Mais de 1,5 mil pacientes receberam atendimento médico primário no local. “Triagem, estabilização dos feridos e transferências devido às necessidades cirúrgicas são nossas prioridades médicas”, explica o médico Mego Terzian, do grupo de emergência de MSF. “Os corpos dos mortos são uma questão médica, no sentido que tornaram-se um fator estressante para os sobreviventes. Mas nesse contexto, como a causa da morte não é um fator infeccioso, não há risco de epidemias ligados aos corpos”.

Alguns dos maiores problemas no momento são os suprimentos básicos e a falta de acesso. Os alimentos estão bastante escassos e a água é uma grande preocupação. MSF está começando a transportar água potável para o Hospital Choscal para os pacientes e pessoas que vivem próximas à unidade.

Há enormes necessidades em toda a cidade e as equipes de MSF estão recebendo relatos de danos muito sérios e mortes em pequenas cidades perto da capital. Eles vão tentar chegar até essas áreas para saber como MSF pode ajudar. Clínicas móveis estão sendo planejadas. As equipes também estão analisando o atendimento obstétrico, que sempre foi uma prioridade para MSF e que precisa de suporte. A saúde mental é outra preocupação em um desastre dessa magnitude.

MSF conseguiu enviar dois aviões de carga diretamente para Porto Príncipe, mas outros vão ter de ir para o vizinho Santo Domingo, na República Dominicana, frequentemente devido à falta de combustível no Haiti. As pessoas e o material vão ter que ser transportados por terra.

15

Jan

MSF atende vítimas do terremoto em hospitais improvisados

Mais de 1,5 mil pacientes já receberam cuidados das equipes de MSF. Cirurgias continuam a ser a maior necessidade 15/01/2010 – Pelo menos 1,5 mil pacientes já foram atendidos por Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Haiti, país devastado por um terremoto de magnitude 7.0 na escala Richter. As equipes têm observado o fluxo de pessoas aumentar significantemente. Todos estão tentando fazer o melhor possível para dar conta dos primeiros socorros, mas a necessidade mais urgente é por cirurgia. Um grande obstáculo enfrentando são os bloqueios no aeroporto, que impedem que as pessoas se desloquem mais rapidamente.

Todas as três unidades médicas de MSF na capital foram parcialmente danificadas: um centro de saúde dentro da comunidade carente de Martissant, o Centro de Trauma Trinity (60 leitos), o Hospital Maternidade Solidarité (uma unidade de emergência obstétrica com 75 leitos). A maioria dos pacientes foi tratada em tendas que MSF montou perto das unidades da saúde danificadas.

As equipes de MSF informaram que mais de 300 pacientes precisando ser operados foram transferidos de Martissant para o Hospital Choscal em Cité Soleil, onde em breve cirurgias vão começar a ser realizadas.

Os profissionais de MSF estão trabalhando no Hospital Choscal, em Cité Soleil, estabilizando os feridos. Material e equipamentos foram retirados do Hospital Maternidade Solidarité, afetado pelo tremor, e os pacientes estão sendo tratados em um estacionamento.

As equipes estão atualmente avaliando outros locais dentro do Haiti para retomar as atividades cirúrgicas e o atendimento de emergência. Dois grandes hospitais de referência obstétrica, para os quais MSF costumava enviar pacientes, ruíram. Uma equipe de MSF vai começar a avaliar outras necessidades e vão tentar chegar ao bairro de Carrefour a pé. No momento, é bastante difícil ter acesso a essa área, que foi gravemente afetada pelo terremoto.

MSF esteve no Hospital Trinité e conseguiu recuperar suprimentos. Foi montada uma clínica improvisada em uma tenda, usando a parte de trás de uma farmácia. Um local foi encontrado em Petionville e um bloco de operações vai começar a funcionar nas próximas 48 horas. O plano é manter as primeiras tendas montadas para atender cuidados básicos e usar esses novos locais para atender os muitos pacientes que precisam de cirurgia.

14

Jan

Trabalhadora de MSF resgatada de escombros no Haiti Danielle Trépanier ficou mais de 24 horas presa nos destroços de uma das casas da organização, destruída pelo terremoto

A trabalhadora humanitária de Médicos Sem Fronteiras (MSF) Danielle Trépanier, de 35 anos, foi resgatada nesta quarta-feira, após passar mais de 24 horas presa nos escombros de uma casa da organização destruída pelo terremoto de magnitude 7.0 que atingiu o Haiti, na segunda-feira. Quando o tremor aconteceu, Danielle, uma administradora e logística canadense, estava descansando em seu quarto no segundo andar da casa. Dois outros integrantes da equipe estavam no primeiro andar, mas conseguiram escapar tão logo os primeiros tremores foram sentidos. Danielle caiu entre os dois andares e ficou presa em um pequeno espaço do porão, debaixo de uma camada de destroços.

Motoristas de MSF contratados localmente estavam entre os que arriscaram suas vidas para resgatar Danielle, sabendo através de seus gritos que ainda havia esperança. Quando finalmente conseguiram tirá-la, ela estava desnorteada, em choque. Ela já entrou em contato com a sua família e agora está se recuperando do trauma.

Embora MSF esteja muito feliz com a notícia de seu resgate, continuamos preocupados com o paradeiro de alguns outros trabalhadores haitianos e pacientes.

14

Jan

MSF já atendeu mais de mil pessoas vítimas do terremoto no Haiti Equipes estão recebendo pacientes em quatro tendas montadas próximas às unidades de saúde destruídas pelo tremor. Necessidade maior é por cirurgias

Dois dias após o Haiti ter sido atingido por um terremoto de magnitude 7.0 na escala Richter, as equipes de Médicos Sem Fronteiras em Porto Príncipe já atenderam mais de mil pessoas. Em quatro tendas improvisadas, montadas perto das estruturas de saúde danificadas nas quais MSF trabalhava, os profissionais médicos têm recebido pacientes com fraturas, ferimentos na cabeça e outros grandes traumas.

A maior preocupação da equipe médica no momento é a enorme necessidade de realização de cirurgias e de tratar os feridos. Uma das equipes está indo trabalhar no maior hospital público do distrito de Cite Soleil, onde MSF já atuou anteriormente. Neste hospital, há um centro de cirurgia, o que vai ajudar a atender alguns desses casos.

Um hospital móvel, equipado com duas salas de cirurgia, deve chegar por avião nas próximas 24 horas, junto com cirurgiões e anestesistas extras. As equipes em Porto Príncipe também estão tentando identificar mais estruturas médicas que estão intactas e que poderiam ser usadas para a realização de cirurgias.

Alimentos, água e materiais de abrigo estão acabando, apesar de os estoques ainda não estarem esgotados e mais materiais estarem a caminho.

“Provisões básicas são sempre problemáticas para as pessoas em Porto Príncipe, mas agora é ainda pior”, explica Vincent Hoedt,um dos coordenadores de emergência de MSF. “Obviamente há uma preocupação com as pessoas que já estão enfraquecidas devido aos ferimentos. Também há falta de itens como gasolina, o que afeta o trabalho de todos os tipos de equipamentos vitais”.

A luta também é para enviar mais profissionais médicos e kits – há sete vôos fretados preparados para partir, mas apenas um deles de fato conseguiu chegar a Porto Príncipe. Este veio através do centro de logística de MSF no Panamá, trazendo 25 toneladas de material de emergência, incluindo três kits médicos para desastres e cobertores, lâminas de plástico, kits de higiene e de cozinha, tendas e galões de água. Cerca de 80 trabalhadores extras de MSF devem chegar para reforçar as equipes no terreno, assim que conseguirem chegar ao Haiti.

Ainda estamos preocupados com nossas equipes em Porto Príncipe. Não foi possível confirmar o paradeiro de todos os haitianos que fazem parte de MSF porque há muita dificuldade para usar os meios de comunicação e para localizar as pessoas. Essa preocupação se estende a alguns dos pacientes que estavam em estruturas de MSF quando o terremoto atingiu o país.

13

Jan

Haiti: Equipes de MSF montam tendas para atender vítimas do terremoto Profissionais passaram a noite visitando unidades de saúde e locais afetados pelo tremor, para apurar necessidades

As equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) que já trabalhavam em projetos médicos no Haiti quando o terremoto de magnitude 7.0 na escala Richter atingiu o país, nesta segunda-feira, enviaram seus primeiros relatos. Imediatamente após o tremor, as equipes começaram a tratar centenas de pessoas feridas e a montar tendas para substituir as unidades médicas destruídas pelo abalo.

O centro de saúde de Martissant, localizado em uma área desfavorecida de Porto Príncipe, teve de ser evacuado logo após o terremoto devido aos danos e a instabilidade. Os pacientes estão agora nas tendas e a equipe médica tem atendido um grande fluxo de feridos da cidade. Entre 300 e 350 pessoas foram atendidas, a maioria com traumas e fraturas. Entre elas, 50 com queimaduras, algumas delas graves, frequentemente causadas pela explosão de bujões de gás caseiros, devido ao colapso dos prédios.

No Centro de Reabilitação Pachot, entre 300 a 400 pessoas foram atendidas. Em um dos escritórios administrativos de MSF em Petionville, outra parte de Porto Príncipe, cerca 200 pessoas foram atendidas em uma clínica improvisada em uma tenda. Muitas outras estão recebendo assistência na estrutura onde costumava funcionar o Hospital Maternité Solidarieté, que foi gravemente danificado.

Um experiente trabalhador de MSF, Stefano Zannini, esteve fora durante toda a noite para fazer um levantamento das necessidades na cidade e examinando as unidades médicas. “A situação é caótica. Visitei cinco centros de saúde, incluindo um grande hospital, e a maioria não estava funcionando. Muitos estão danificados e vi um grande número de mortos”, contou ele “Algumas partes da cidade estão sem eletricidade e as pessoas se aglomeraram nas ruas, acendendo fogueiras e tentando ajudar e confortar uns aos outros. Quando eles viram que eu era de MSF, começaram a pedir ajuda, particularmente para tratar os feridos. Há uma grande solidariedade entre as pessoas na rua”.

Outro coordenador de MSF no Haiti, Hans van Dillen, confirmou que Porto Príncipe não tem como dar conta da escala dos desastres. “Há centenas de milhares de pessoas dormindo nas ruas porque estão desabrigadas”, contou Dillen. “Nós vemos fraturas expostas, ferimentos na cabeça. O problema é que não podemos encaminhar as pessoas para a cirurgia adequada nesse estágio" Muitas das unidades médicas da cidade também foram tão destruídas que o sistema de saúde foi interrompido justamente no momento em que ele é mais necessário.

Mas MSF também está trabalhando para trazer mais equipes para o país. Cerca de 70 pessoas devem chegar no Haiti nos próximos dias. MSF está enviando um hospital com capacidade para cem leitos, com uma unidade cirúrgica inflável, com duas salas de operação e sete tendas hospitalares. A equipe também contará com nefrologistas, para ajudar a lidar com os efeitos do esmagamento. No entanto, os meios de transportes foram muito afetados e não está claro se os suprimentos e profissionais médicos vão ter de ser enviados através da República Dominicana.

MSF está preocupada com a segurança de alguns de seus funcionários. Ao todo, 800 pessoas, entre profissionais estrangeiros e haitianos, trabalham com MSF e algumas ainda não foram localizadas devido a problemas de comunicação e de transporte.

13

Jan

Terremoto danifica unidades de saúde e deixa centenas de feridos no Haiti Equipes de MSF estão tentando manter o atendimento e também aumentar a capacidade de receber novos pacientes

No dia 12 de janeiro, um terremoto de magnitude 7.0 atingiu cerca de 15 quilômetros do sudoeste da capital do Haiti, Porto Príncipe. Equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no terreno testemunharam uma destruição significante em suas unidades médicas, ferimentos em pacientes e equipe e um grande fluxo de feridos nesses hospitais da capital.

O Hospital de Trauma Trinité de MSF, que possui uma estrutura com 60 leitos e é a única unidade que oferece atendimento médico gratuito em Porto Príncipe, foi seriamente danificado pelo terremoto. Apesar da dificuldade para confirmar informações, centenas ficaram feridos na capital totalmente destruída pelo tremor.

No momento, as equipes de MSF estão tentando garantir a segurança e o atendimento contínuo dos pacientes que chegam ao Hospital Trinité e também estão tentando aumentar a capacidade de atendimento de novos pacientes. Em seu Hospital Maternité Solidarité, uma unidade de emergência obstétrica com 75 leitos também na capital, mulheres grávidas, mães recentes e recém-nascidos foram retirados da unidade por medida de precaução, devido aos danos estruturais observados. MSF também administra Martissant 25, um centro de saúde na comunidade carente de mesmo nome.

Os sistemas de comunicação como redes de celulares não estão funcionando e o acesso pelas estradas está muito prejudicado.

MSF está extremamente preocupada com a segurança de seus pacientes e equipes. Trabalhadores adicionais vão ser enviados para reforçar a já existente equipe de MSF no terreno e para realizar um levantamento sobre as necessidades emergentes nos próximos dias.

MSF trabalha no Haiti desde 1991.