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FAQ

Encontre aqui as resposta às questões mais frequentes sobre Médicos Sem Fronteiras.

Perguntas e respostas sobre a resposta de MSF ao Ebola e protocolos para profissionais humanitários que retornam da África Ocidental

As informações a seguir foram compiladas para responder questões sobre os protocolos e práticas de Médicos Sem Fronteiras (MSF) referentes aos projetos de Ebola da organização na África Ocidental, assim como aos profissionais que trabalham nesses projetos. Como observado anteriormente, MSF não vai comentar sobre o tratamento e a condição do Dr. Craig Spencer, nosso colega que teve o diagnóstico de Ebola confirmado em 23 de outubro de 2014, pois ele está agora sob os cuidados do Bellevue Hospital, em Nova York. No entanto, MSF reforça o compromisso de ser transparente sobre seu trabalho, sobre as precauções que tomamos nesses e em outros programas em todo o mundo, e as providências que a organização está tomando em resposta a esse incidente específico para tranquilizar um público compreensivelmente ansioso e garantir a maior segurança possível para os nossos profissionais e pacientes.
 

Quantos profissionais internacionais começaram a mostrar sintomas de Ebola depois que voltaram para casa?

Dos mais de 700 profissionais internacionais que trabalharam em nossos projetos de Ebola, Dr. Spencer é o primeiro e, até agora, o único. No entanto, MSF esteve durante meses em contato com as autoridades municipais e estaduais em todo o país, bem como o governo federal e o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), preparando-se de forma única para este tipo de contingência (assim como o CDC e outras agências de saúde estaduais e federais estiveram em contato com MSF para saber mais sobre os nossos protocolos de segurança e de tratamento, que usaram para adaptar os seus próprios após o diagnóstico da primeira paciente com Ebola nos EUA, em Dallas). Sabemos que é impossível eliminar completamente o risco de infecção, mas a preparação rigorosa pode reduzir amplamente qualquer risco para as comunidades as quais retornam os profissionais vindos do campo. Sabemos também que MSF, como uma organização que tratou mais de 9 milhões de pacientes em todo o mundo em cerca de 70 países em 2013, só pode continuar a fazer esse trabalho se tomarmos todas as medidas possíveis para manter nossos profissionais de campo saudáveis antes, durante e depois de realizarem suas atividades.
 

Quantos membros da equipe de MSF foram infectados com o Ebola em campo, e por que eles foram infectados, dadas as precauções tomadas?

Nesses projetos, assim como em muitos dos projetos de MSF, nossa equipe assume certo risco a fim de oferecer assistência médica às pessoas que mais necessitam. Este é o caso na África Ocidental, como é na Síria, na República Democrática do Congo ou no Afeganistão. Não há outro caminho, e nós podemos dizer que mais de 1 mil pessoas tratadas nos nossos programas sobreviveram ao Ebola na África Ocidental devido à disposição que nossos trabalhadores de campo têm de assumir esses riscos.

 

No momento, há mais de 3.200 funcionários de MSF trabalhando com o Ebola na África Ocidental. O número total de pessoas que trabalharam em projetos de Ebola desde que a organização iniciou a resposta à epidemia em março passado é significativamente maior. Até o momento, 24 profissionais de MSF contraíram o Ebola e 13 morreram. Dez sobreviveram, e um deles, o nosso colega agora em Nova York, está em tratamento. Vinte e um dos 24 contaminados eram parte da equipe nacional, pessoas que vivem no país onde trabalham (profissionais nacionais compõem a grande maioria dos profissionais de MSF em todo o mundo). Três eram profissionais internacionais.

 

Após cada caso, MSF conduz uma investigação para descobrir como a pessoa foi infectada (o mesmo acontece após os incidentes de segurança em outros projetos) e os protocolos são reforçadas para responder às vulnerabilidades identificadas. No caso dos profissionais nacionais da equipe, determinou-se que foram infectados pelo contato com pessoas com Ebola fora das instalações de MSF, em suas comunidades de origem. No caso dos profissionais internacionais que contraíram a doença, e foram posteriormente tratados na França e na Noruega, constatou-se que foram infectados devido a encontros casuais em uma área de triagem, onde os novos pacientes são examinados. MSF ainda está investigando como Dr. Spencer pode ter se infectado.

 

Novas investigações estão sendo conduzidas e estamos constantemente revendo os protocolos, estruturas e funções em nossas instalações para torná-las tão seguras quanto podem ser para os profissionais e pacientes. Na medida em que nosso conhecimento sobre essa doença, e sobre esse surto em particular, evoluem, nossos protocolos são adaptados.
 

Que preparativos são realizados antes que os profissionais saiam para o campo?

Em geral, MSF aceita apenas cerca de 20% das pessoas que se candidatam para trabalhar conosco. Para os programas de Ebola, o processo de seleção é ainda mais rigoroso. Nós enviamos apenas pessoas que tiveram experiência prévia com febres hemorrágicas virais e/ou emergências semelhantes. Uma vez que os candidatos são aprovados, eles devem passar por um treinamento abrangente desenvolvido para prepará-los para o trabalho rigoroso e exigente que vivenciarão sob condições difíceis.
 

Que precauções são implementadas no campo?

Todos os profissionais de campo tomam precauções extremas ao trabalhar em instalações de MSF. Os nossos centros de tratamento são projetados para garantir um ambiente de trabalho o mais seguro possível para profissionais e pacientes. Mesmo os membros da equipe não têm contato algum com os pacientes seguem todos os protocolos de segurança pertinentes. Apenas os profissionais essenciais estão autorizados a entrar nas áreas de alto risco dos centros de tratamento de Ebola de MSF. Eles usam o equipamento completo de proteção individual (PPE, na sigla em inglês) que impede o contato com fluidos corporais de pacientes. O uso do PPE conta com protocolos rigorosos que exigem dos profissionais um “sistema de parceria” para colocar e retirar o equipamento, a fim de garantir que o procedimento está sendo feito corretamente e que eles estejam protegidos dos pés à cabeça.

 

Antes e depois de entrar nas enfermarias com pacientes de alto risco, eles se pulverizam com uma mistura de cloro para matar quaisquer vestígios do vírus. Devido ao peso e ao fato de o equipamento ser muito quente, os profissionais limitam a quantidade de tempo que passam dentro das alas com pacientes. Quando possível, eles buscam evitar o uso de agulhas para administrar medicamentos, para minimizar o risco de perfuração dos equipamentos de proteção. E enquanto a maioria dos profissionais de MSF se comprometem com a permanência de 9 e 12 meses em cada projeto, os profissionais de campo em programas de Ebola ficam de 4 a 6 semanas por vez no projeto, devido à natureza exigente do trabalho.

 

Profissionais locais, que frequentemente vivem nas comunidades onde trabalham, recebem um treinamento igualmente extensivo sobre como evitar a infecção por Ebola tanto no trabalho como em casa. Isso se provou um desafio (veja abaixo), devido à falta de controle da infecção, incluindo medidas voltadas para água e saneamento em muitas das comunidades afetadas, bem como a resposta lenta da comunidade internacional para conter o surto até agora.
 

Dado o que aconteceu, vocês estão revendo seus protocolos?

Nossos protocolos foram desenvolvidos para minimizar o risco para os outros, no caso de um dos nossos profissionais humanitários regressos começarem a mostrar sinais de Ebola, seja em campo ou quando voltam para casa. MSF também está ciente da compreensível ansiedade em torno do Ebola nos EUA e em outros países e, portanto, está observando os passos que vão além dos protocolos cientificamente e clinicamente recomendados, já estabelecidos, a fim de amenizar a preocupação pública. Estamos em estreito contato com as agências federais de saúde, bem como órgãos estaduais e o executivo do estado, a fim de discutir os protocolos revisados dos profissionais humanitários regressos, no intuito encontrar um equilíbrio entre a necessidade de abordar as preocupações públicas e tratar adequadamente aqueles que já passaram semanas na África Ocidental tentando conter o surto em suas origens - que ainda é a forma mais amplamente reconhecida de preservar a saúde pública em todo o mundo - e tratar aqueles que desafortunadamente ainda estão sofrendo com a doença.
 

O que os profissionais que voltam do campo são instruídos a fazer em seu retorno?

Ao retornar de um projeto de Ebola, cada membro da equipe MSF passa por um amplo processo de debriefing, durante o qual eles são informados sobre o que devem fazer: verificar a temperatura duas vezes ao dia; terminar o curso regular da profilaxia de malária, uma vez que os sintomas da malária podem ser similares aos do Ebola; estar ciente dos sintomas relevantes, tais como febre; estar a no máximo quatro horas de um hospital com instalações de isolamento e possibilidade de acesso a tratamento, e contatar imediatamente o escritório de MSF se algum dos sintomas relevantes se desenvolver.

 

Estas orientações estão alinhadas com as fornecidas até o momento pelo CDC para as pessoas que retornam de um dos países afetados pelo Ebola na África Ocidental.
 

No caso do Dr. Craig Spencer, quando foram reportados os primeiros sintomas?

Na manhã do dia 23 de outubro, quando ele começou a se sentir febril. Ele ligou para o escritório de MSF em Nova York e MSF ligou para as autoridades de saúde da cidade.
 

Qual era a sua temperatura quando relatou a febre?

100,3 F, equivalentes a 37,9 ºC, e não 103 F  (cerca de 39,4 ºC), como foi relatado de forma equivocada inicialmente.
 

Quão contagioso ele estava quando se locomovia ao redor da cidade?

Visto o momento de início dos sintomas, e o nível de sua febre logo que ele a relatou - depois da qual ele foi totalmente isolado em seu apartamento -  haveria um risco extremamente baixo de contágio. Essa não é uma avaliação de MSF. Essa afirmação baseia-se em todo o conhecimento médico e científico disponível sobre Ebola e sobre como ele se espalha. Inúmeras autoridades de saúde pública e governamentais têm dito o mesmo e muito elogiaram o Dr. Spencer por ter relatado rapidamente o início de sua febre e por sua conduta assim que os sintomas apareceram.
 

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