destaque internas

indique esta página

Deborah Duarte

Psicóloga

Crise humanitária em Dadaab: A necessidade de apoio psicológico

Parte 1 - 11 de agosto de 2011, Dadaab, Quênia 

Sou psicóloga e desde julho estou trabalhando no Quênia, em Dadaab, no maior acampamento de refugiados do mundo, para onde vai a maioria das pessoas que foge da seca, da guerra civil e da fome na Somália. Esta é a segunda vez que trabalho em um projeto de Médicos Sem Fronteiras (MSF), antes estive na Faixa de Gaza, e digo que é um desafio super prazeroso. Compartilho um pouco aqui o começo desta jornada. O acampamento de Dadaab é um complexo formado por três campos de refugiados. Estou implementando um programa de saúde mental dentro de um deles, Dagahaley.

O dia a dia não é nada fácil. Moro num acampamento com mais de cem pessoas, entre profissionais locais e estrangeiros, como eu. Compartilhamos as latrinas e chuveiros construídos pela equipe de MSF. O clima é pra lá de quente, sempre seco e onde quer que você olhe e ande tem poeira... muita poeira.  As regras de segurança são restritivas. Todos os profissionais estrangeiros de MSF têm que estar dentro do nosso acampamento às 17 horas e os profissionais locais às 18h.

No momento, Médicos Sem Fronteiras se dedica principalmente ao programa de nutrição terapêutica, devido ao grande número de pessoas que chegam desnutridas e desidratadas vindas, em sua maioria, da Somália fugindo do conflito, da seca e da fome.  

Mas oferecemos também outros tipos de assistência. Eu vim para cá implementar um projeto de apoio psicológico para as pessoas com transtornos mentais que já são acompanhadas por MSF,  dentro do Programa de Saúde Mental.

 Eu sou a primeira psicóloga desse departamento de saúde mental, que já funciona há mais de dois anos, mas que ainda não contava com a colaboração de um psicológico. Esse é um trabalho muito importante, pois a comunidade sofre com a falta de conscientização sobre sintomas dos transtornos mentais e com o estigma, que acaba as impedindo de procurar tratamento. 

O trabalho de saúde mental atualmente é feito – e super bem feito – pelos Mental Health Workers (Trabalhadores de Saúde Mental)  e agentes comunitários, que vão até à casa, ou melhor às tendas, das pessoas que já estão assentadas – muitos estão acampados nos arredores dos campos de refugiados, que estão com sua capacidade esgotada – para dar a orientação e medicação necessárias.

Mas muito há de ser feito no campo psicológico. As pessoas precisam ser ouvidas. É preciso ajudá-las a reencontrar suas habilidades internas como, por exemplo, o que as deixa feliz, o que realmente gostam e sabem fazer, mas que deixaram de lado por conta da situação. É preciso ajudá-las a resgatar tudo isso. Muitas pessoas que estão aqui sofrem de traumas pelo que viveram na Somália, no caminho em direção ao Quênia e na chegada ao campo.

Elas saem da Somália fugindo da guerra civil, torturas, abusos, violência. No caminho se deparam com mais abusos, mais violência, seca, fome e situações difíceis, como as mães que têm de escolher um dos filhos para ficar no caminho, pois não têm como carregá-los. E ao chegar aqui encontram o campo superlotado. É esta a situação de Dagahaley.  Mais de 30 mil refugiados chegando por mês necessitando de cuidados básicos relacionados à fome e à seca, com traumas que toda essa situação gera. Nós do departamento de saúde mental damos o suporte, agora também psicológico, para os refugiados afetados com essa situação.

Textos anteriores:

    contato
    • Formulário de Contato
    • .......................................
    • Rua Santa Luzia, 651/11º andar
      Centro - Rio de Janeiro - RJ
      CEP 20030-041 - Brasil
      Telefone: (21) 3527-3636

    mídias
    • Twitter
    • Facebook
    • Orkut
    • Flickr