destaque internas

indique esta página

Bruno Cardoso

Promotor de Saúde

Bruno Cardoso, promotor de saúde, conta experiência com MSF em Moçambique

Parte 2 - 6 de dezembro de 2010, Moçambique

Acredito que devido a minha prévia vivência com povos indígenas no Brasil, o projeto para o qual fui selecionado para trabalhar referia-se a populações autóctones indiana. Foram dois projetos trabalhados em um curto espaço de tempo.

O meu primeiro projeto foi entre os estados de Andhra Pradesh e Chhattisgarh. São clínicas móveis de MSF que levam atenção médica básica. Minha função determinava pensar e implementar uma estratégia de aproximação sobre os cuidados médicos ofertados às etnias locais, perceber como éramos entendidos e orientar a equipe médica em sua abordagem.  As clínicas se passam durante o dia, após uma ou duas horas de viagem de carro em meio à região de floresta marcada pelo conflito armado entre tropas do governo indiano e milícias maoístas.

Nesta área, MSF assiste população vítima e deslocada pela instabilidade política e pelo medo, que perdem terras e familiares, que são mutilados e obrigados a migrar para o confinamento dos Campos de Deslocados Internos do governo. Há aqueles que ainda resistem e persistem em ficar nas aldeias e que se deslocam até algum ponto previamente combinado em meio ao nada para receber ajuda médica, medicamentos e vacinas ainda que um pouco "às escondidas". O uso de comboio se faz necessário. É proibido andar em apenas um carro ou parar o veículo em qualquer local, há vários check-points do exército pela rota até o destino final, o nível de segurança é considerado médio por MSF.

O outro projeto que tive a felicidade de participar foi em uma das mais remotas áreas do país, localizada no final da Cordilheira do Himalaia fica no estado de Nagaland, fronteira entre Índia e Mianmar. É conhecido pela terra das tribos guerreiras dos Headhunters ou Caçadores de Cabeça, prática usada até os dias de hoje entre as etnias locais. Em Nagaland, fiz parte do primeiro time de MSF no local, o projeto se referia a reestruturar um Hospital Provincial e implementar os serviços para atenção médica básica e especializada. É uma região atípica quando se pensa em Índia. A população provém da remota trajetória de povos sob conflitos na China e Burma. O fenótipo é característico do sudeste asiático, poucos ocidentais acederam à região e isso nos transformou em "extraterrestre" para muitos de alguma forma. A medicina tradicional e a forte influência do cristianismo são as principais vertentes do processo etno-médico. Desta vez, minha posição se ocupava de ajustar MSF às condições e população local.

A missão da Índia ficou pela metade, pois antes de partir já havia deixado um herdeiro no ventre de minha companheira e ficou muito difícil voltar ao Brasil apenas para o nascimento e depois retornar à remota Nagaland sem mulher e filho. Assim, resolvi parar a missão. Contudo, logo apareceu uma nova missão e desta vez para eu e minha esposa trabalharmos juntos.

Não mais na Ásia e sim Moçambique, África. Após 2 meses de nascido, o pequeno bebê intitulado de o 1º bebê 100% MSF-Brasil já pousava em Maputo, cidade onde atualmente vivemos e trabalhamos em um grande projeto, também com pessoas portadoras do vírus HIV e Aids. Neste projeto fui colocado como responsável pelo Departamento Psicossocial, é uma posição desafiadora para quem a pouco estava na Amazônia como um simples dentista. Mas esta história continua no próximo diário de bordo!

contato
  • Formulário de Contato
  • .......................................
  • Rua Santa Luzia, 651/11º andar
    Centro - Rio de Janeiro - RJ
    CEP 20030-041 - Brasil
    Telefone: (21) 3527-3636

mídias
  • Twitter
  • Facebook
  • Orkut
  • Flickr