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Sérgio Cabral

Pediatra

Sérgio Cabral, médico, conta sua experiência com MSF no Camboja


PARTE 8 - Phnom Penh, 20 de dezembro de 2008.
 
Fim de missão não é fácil, muitos relatórios para fazer, muito trabalho para terminar e o estresse de querer deixar tudo certinho. E aquele sentimento duplo, de alegria e nostalgia, de conquista e de perda.

Conquistamos o carinho e a amizade de muitas pessoas, conquistamos o resultado de um trabalho árduo, de dedicação e de compenetração. E sentimos a nostalgia de perder a proximidade destas pessoas de quem estivemos juntos nestes seis meses. Despedir-se de um povo, de uma cultura, de um país sem a certeza de se algum dia voltaremos a nos encontrar.

Saio bastante feliz, com os resultados positivos de meu trabalho e com novas e amplas experiências que adquiri, do ponto de vista profissional e pessoal. Saio também bastante feliz com os resultados de MSF no Camboja. Depois de 30 anos no Camboja, MSF encerrará sua missão em julho de 2009.

Saio também bastante feliz por ter podido trabalhar com a Ana Lúcia e a Kelly, que foram companheiras de trabalho e foram família. Pudemos estreitar nossos laços profissionais e fraternais. Pudemos ver um mundo diferente de forma igual. A elas e ao Bruno (dentista esposo da Kelly, que aliás foi para Takeo para visitar a Kelly e em poucos dias já estava fazendo ajuda humanitária voluntária) deixo um grande abraço e muito carinho, e a saudade de momentos que crescemos juntos na dura luta em terras distantes e de alegrias diversas que compartimos nestes meses.

Havia dito acima que sairia de Phnom Penh, mas quando terminei minha missão, o aeroporto de Bangcoc (Tailândia), por onde deveria passar, estava ocupado por manifestantes populares que protestavam contra a corrupção do governo. Por este motivo eu não poderia viajar de volta para Bélgica, onde teria minha reunião de fim de missão. A solução encontrada pela empresa aérea foi trocar minha passagem para Saigon, para o dia 9 de dezembro (uma semana de atraso).

Viajei para o Vietnã quatro dias antes para aproveitar e passear um pouco.

Nove de dezembro, chegou o dia de ir embora. Ainda bem que mineiro não perde o trem. Saí bem cedo e cheguei cedo ao aeroporto. Tento fazer o “check in” e uma grande surpresa: “você não tem passagem desde Ho Chi Min (Saigon). A empresa voltou seu vôo para Bangkok. O aeroporto foi liberado”. Ainda bem que tive tempo e dinheiro suficiente para resolver o problema e comprar uma passagem de Ho Chi Min até Bangcoc.

No Camboja e Vietnã, a temperatura estava acima de 30 graus. Cheguei à Europa em temperaturas ao redor de zero grau. Fui ao escritório do MSF antes mesmo de passar pelo hotel, e já começaram as reuniões, que duraram o dia todo, com um breve tempo para o almoço. Apesar do cansaço da longa viagem, as reuniões foram muito boas.

Encontrei com o Guilherme, arquiteto brasileiro que está trabalhando no escritório MSF na Bélgica. Mas infelizmente foi uma conversa breve devido às reuniões que eu tinha e ele estar bastante ocupado com seu trabalho.

Agora férias. Desfrutarei um pouco da Europa e depois visitarei meus parentes e amigos no Brasil antes de uma nova missão provavelmente em fevereiro.

Um abraço e até a nova missão.
Sérgio Cabral.


Leia a sétima parte do diário de bordo

 
 
Por: Sérgio Cabral

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