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Cristiane Emi Tsuboi

Médica

Cristiane Emi Tsuboi, médica brasileira, conta sua experiência com MSF

PARTE 1 - 02 de maio, Monte Elgon, oeste do Quênia 
    

Meu nome é Cristiane Emi Tsuboi, 28 anos, médica (sem fronteiras), filha de pais exemplares, irmã de um gênio, tia do japinha mais bonito do mundo. No momento, estou bem longe dessa linda família....

Em 13 de fevereiro deste ano, desembarquei em Nairóbi, minha primeira viagem à África. Estava ansiosa pela minha primeira missão com Médicos Sem Fronteiras. Sonho em trabalhar com MSF há mais de 10 anos, antes mesmo de optar por Medicina no vestibular. Sempre pareceu algo tão fantástico ajudar aqueles que realmente precisam que esse sonho simplesmemte se fixou na minha mente e, apesar das curvas da vida, consegui me manter fiel ao meu ideal.

Após completar meus estudos na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), tive um ano de experiência trabalhando como médica na Marinha, residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP. Senti-me técnica e psicologicamente preparada para me engajar nesse projeto.

Um ano antes de terminar a residência, já comecei a me mobilizar. Carta de motivação, currículo, questionários, entrevista, uma longa semana de espera. Quando recebi a ligação “Bem vinda a Médicos Sem Fronteiras”, nem consegui acreditar.

Depois desse telefonema, tudo aconteceu tão rápido. Recebi uma proposta de ir para uma missão no extremo oeste do Quênia, numa região afetada por conflitos tribais onde o acesso à assistência médica depende basicamente do trabalho de MSF.

Decisão difícil, naquele momento. Tudo que se falava sobre o Quênia na imprensa era sobre a violência no período pós eleitoral, quando um dos países mais estáveis da África pela primeira vez em mais de 40 anos entrou em crise.

Resolvi lançar meu destino à sorte e confiar na estrutura da organização para garantir minha segurança.

Agora, dois meses e meio após desembarcar em Nairóbi, estou adaptada ao trabalho, às condições de vida, à estrutura de saúde pública local. A fase de adaptação não foi nada fácil, mas valeu a pena cada dificuldade que precisei transpor.

Trabalho como médica encarregada pela missão em Mount Elgon, um distrito na divisa entre o Quênia e Uganda. Uma região montanhosa, de solo vulcânico e fértil, paisagens de tirar o fôlego, povoada por pessoas alegres que, infelizmente, no momento sofrem pelos conflitos tribais.

Meu trabalho consiste não apenas em atendimento médico. Sou responsável por um time de 15 pessoas; planejamento das atividades; supervisão do atendimento; seguimento dos pacientes encaminhados para outros serviços de referência; reuniões técnicas e administrativas; coleta da dados e levantamentos epidemiológicos; ordem mensal de medicações e suprimentos médicos; avaliação da equipe; relatórios diários, semanais e mensais. Ainda sou encarregada pela imunização nas áreas não cobertas pelo sistema público de saúde; atendimento inicial e seguimento dos casos de violência sexual; profilaxia pós exposição ao HIV.

Estou trabalhando com especialidades que nunca imaginaria. A cada dia encontro um novo desafio. Mas ao mesmo tempo, a cada dia tento transpor esses desafios. O estímulo vem do sorriso de pacientes que não possuíam quaisquer meios de acessar o sistema de saúde e conseguimos ajudá-los. Para essas pessoas, fizemos a diferença, e, quem sabe, mudamos seus destinos.

 
Por: Cristiane Emi Tsuboi

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