| Em agosto de 1993, a chacina de Vigário
Geral chamou a atenção da opinião pública
internacional para a situação de exclusão social
e violência cotidiana em que vive grande parte da população
do Rio de Janeiro. Depois de uma avaliação de campo,
onde foram checadas as condições de saúde e
psico-sociais da comunidade, em janeiro de 1995, Médicos
Sem Fronteiras (MSF) decidiu intervir em Vigário Geral.
As
atividades iniciaram-se com a instalação de um Posto
de Saúde na comunidade. O desafio deste projeto foi mostrar
que, mesmo em um contexto precário, é possível
intervir, montar e fazer funcionar um bom serviço de assistência
à saúde, com a participação da comunidade.
Inicialmente, o atendimento no Posto estava voltado somente a crianças
e adolescentes, mas a demanda por parte dos adultos tornou-se cada
vez maior. Com o envolvimento da comunidade, através da criação
de uma cooperativa de saúde popular, o atendimento aos adultos
foi viabilizado. No Posto, além do atendimento de clínica
geral, ginecologia e obstetrícia e pediatria, eram oferecidos
serviços de odontologia, psicologia, serviço social,
consultas e procedimentos de enfermagem. O Posto de Saúde
de Vigário Geral oferecia também os programas de Saúde
da Mulher, Pré-natal, da Criança e do Adolescente,
Prevenção do Câncer de Mama e Colo do Útero
e Prevenção de DST/Aids. No final de 1997, havia 1573
crianças e adolescentes regularmente inscritos no serviço,
e mais 120 gestantes e 200 adultos, totalizando 1893 inscritos.
O
projeto de MSF em Vigário Geral deu origem a um curso de
capacitaçãode gestores comunitários, do qual
participaram moradores da comunidade de Vigário. O curso
foi a alternativa que MSF encontrou para garantir asustentabilidade
do projeto. Os moradores de Vigário Geral que participaram
do curso criaram, posteriormente, uma ONG, o Movimento Organizado
de Gestão Comunitária (Mogec), que, a partir de abril
de 1998, passou a gerir o Posto de Saúde. Nessa mesma data,
o Posto foi incluído na Rede Municipal de Saúde, depois
de um processo de envolvimento gradativo com o Município
do Rio de Janeiro, articulado e previsto por MSF. Desde então,
a Secretaria Municipal de Saúde repassa os recursos necessários
à manutenção do Posto de Saúde através
do Mogec.
Depoimento
“Antes da intervenção de Médicos Sem
Fronteiras, as pessoas em Vigário Geral não tinham
acesso à saúde, inclusive eu. Não sabíamos
principalmente como nos prevenir de doenças. Agora, com o
Mogec, nós podemos participar da vida da comunidade mais
ativamente, podemos melhorar a vida das pessoas”.Tânia
de Andrade Luís da Silva, moradora de Vigário Geral,
participou do Curso de Gestores Comunitários e hoje administra
o Mogec.
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