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Portus
é uma comunidade do bairro de Costa Barros, na zona norte
do Rio de Janeiro, formada com o objetivo de abrigar moradores de
rua e de áreas de risco de diversas partes do Rio, contabilizando
quase 1000famílias. Nesta época, Médicos Sem
Fronteiras (MSF) já trabalhava com parte das pessoas transferidas
na favela do Coqueirinho, debaixo de um viaduto da cidade, e acompanhou-as
até Portus. Lá, as pessoas receberam uma casa, porém
ainda havia a necessidade de a eles serem oferecidos apoio à
integração social e assistência à saúde.
Foi neste âmbito que MSF desenvolveu seu trabalho na nova
comunidade, através do Programa de Saúde da Família
(PSF).
O atendimento é realizado a partir do Núcleo Comunitário
Social e de Saúde de Portus, através de uma equipe
formada por um médico, um enfermeiro, um técnico de
enfermagem, uma assistente social e cinco agentes comunitários
de saúde. Todas as famílias são cadastradas
e monitoradas pelos agentes, através de visitas domiciliares.
A assistência à saúde é feita principalmente
com ações preventivas. As pessoas que precisam de
um atendimento mais especializado são referenciadas à
Unidade Municipal Social e de Saúde de Costa Barros ou a
outras unidades da rede pública de saúde, e a equipe
de MSF acompanha os tratamentos.
Em
Portus, são também desenvolvidas atividades sociais
e de educação em saúde. Uma assistente social
orienta e auxilia na obtenção de documentos e busca
de trabalho. A equipe presta assessoria para a realização
de fóruns comunitários, que são encontros mensais
onde os moradores se reúnem para levantar os principais problemas
da comunidade.
As atividades sociais foram realizadas em parceria com a ONG comunitária
CIACOM (Centro Integrado de Ações Comunitárias),
montada por moradores que participaram do curso de Capacitação
de Gestores Comunitários, organizado por Médicos Sem
Fronteiras
Em outubro de 2001, foi realizada uma pesquisa para medir a satisfação
da comunidade com o serviço. Os resultados mostraram que,
nos 6 meses anteriores, 76,2% das famílias da comunidade
haviam freqüentado o núcleo de saúde da família
pelo menos uma vez, sendo que 39,6% disseram se tratar exclusivamente
em Portus. 77,1% das famílias que freqüentam o núcleo
consideram que o atendimento recebido resolveu seus problemas de
saúde e 86,2% das casas receberam visita domiciliar médica.
Em novembro de 2001, o projeto foi repassado para a ONG Campo.
Depoimento
"Muitas vezes a gente não tem dinheiro pra gente próprio
ir ao médico ou pra levar um filho da gente. A gente já
tem médico aqui perto, às vezes a criança passa
mal, a gente não precisa ir tão longe que aqui mesmo
tem". Norivalda Isaías, moradora
de Portus - Rio de Janeiro – RJ.
Foto 1: Amanda Koster
Fotos 2 e 3: Pedro Martinelli |