| Capacitar moradores de comunidades carentes
para que eles possam gerir organizações comunitárias
ou atuar nas já existentes, desenvolvendo projetos sociais
e de saúde, foi o principal objetivo do projeto de Capacitação
de Gestores Comunitários (CGC), que Médicos Sem Fronteiras
(MSF) desenvolveu entre 1997 e 2000 no Rio de Janeiro.
A necessidade de capacitar pessoas da própria comunidade
surgiu a partir da experiência de Médicos Sem Fronteiras
em Vigário Geral, em 1997, quando foi realizado o primeiro
curso de capacitação de gestores, do qual participaram
moradores de Vigário Geral e de outras comunidades.
O projeto realizou dois cursos, em média, de um ano e meio
de duração cada um, sendo um semestre de curso teórico
e um ano de aplicação prática. Os dois projetos
de Capacitação de Gestores Comunitários (CGC
I e II) contaram, no total, com a participação de
54 alunos de 13 comunidades diferentes, que tiveram aulas de Redação
e Expressão, Relações Humanas, Contextualização
Social e Política, Ética Comunitária e Administração
e Gestão de Projetos Comunitários, entre outras disciplinas.
A partir dos cursos, foram criadas seis entidades comunitárias,
que atuam nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas,
Portus (Costa Barros), Marcílio Dias (Maré), Dique
(Jardim América) e Telégrafos (Mangueira).
Durante um período de 10 meses, as entidades contaram com
recursos de um fundo, mantido por MSF, de R$ 300,00 por mês
para cada entidade, com o qual elas puderam iniciar e consolidar
o trabalho junto às suas comunidades.
Em 10 meses, foram gastos R$ 48 mil, que beneficiaram diretamente
mais de 8 mil pessoas. Com isso, a média de custo por pessoa
beneficiada pelos projetos foi de apenas R$ 0,59 por mês.
Estes resultados foram apresentados durante seminário realizado
no início de junho de 2000, com o objetivo de apoiar os gestores
na busca de novos financiadores.
Os projetos desenvolvidos abrangem uma série de atividades:
educação (reforço escolar e alfabetização
de adultos), escolinhas de capoeira e de futebol, projetos de geração
de renda e crédito popular, produção de multimistura
para combater a desnutrição infantil e palestras de
orientação aos pais.
Outros cursos de capacitação comunitária,
inspirados no projeto de Médicos Sem Fronteiras, foram realizados
por organizações governamentais e não governamentais
no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador.
Pessoas beneficiadas pelo trabalho das organizações
ou núcleos comunitários por mês:
| CIACOM (Portus) |
1500 |
| CIATE
(Mangueiras) |
1500 |
| CPS
LUCAS (Parada de Lucas) |
110 |
| GMCD (Marcílio
Dias) |
223 |
| MOGEC (Vigário
Geral) |
4700 |
| NIADS (Dique) |
1500 |
| TOTAL |
9533 |
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Depoimento
"O grande saldo deste desafio foi a possibilidade de transformação:
no lugar da violência e da corrupção dos vários
poderes existentes nas comunidades, encontramos ética e transparência;
no lugar do abandono, encontramos compromisso, cuidado, solidariedade;
no lugar da omissão, encontramos participação
e organização rumo ao fortalecimento da cidadania."-
Elaine Monteiro, ex-coordenadora social de
Médicos Sem Fronteiras/Rio.
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