| Na década de 90, o perfil epidemiológico
da Aids mudou: cada vez mais mulheres e jovens heterossexuais, especialmente
da população socialmente excluída, foram contaminados.
Entre 1998 e 2001, Médicos Sem Fronteiras (MSF) desenvolveu,
em comunidades empobrecidas da zona norte do Rio de Janeiro, um
projeto piloto de banco de preservativos. A ação consistiu
na distribuição regular de preservativos para usuários
cadastrados e na realização de oficinas temáticas
para homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais.
O objetivo era envolver as populações empobrecidas
na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis
(DST) e da Aids, através de atividades em que elas pudessem
receber informações, aprender a se prevenir e ter
acesso gratuito a camisinhas.
O diferencial deste projeto, nomeado “Programa Local de Prevenção
a DST/Aids”, foi que o banco de preservativos era gerido por
voluntários das próprias comunidades beneficiadas,
com assessoria da equipe de MSF. A resposta favorável da
população estimulou a organização a
ampliar o número de comunidades atendidas.
Em 2001, os bancos de preservativos foram repassados para duas
áreas de planejamento do município do Rio de Janeiro
(CAP 3/1 e CAP 3/3) e para unidades de saúde mais próximas,
que ficaram responsáveis pela coleta de dados nas comunidades,
reciclagem e abastecimento de preservativos
Depoimento
“O Programa Local de Prevenção em DST/Aids
(PLP) é uma experiência pioneira pela visão
social que possui, porque ensina a implementar, fomentar e gerir
os bancos de preservativos, contribuindo para o fortalecimento das
lideranças comunitárias e a da própria comunidade.
(...) A forma como MSF desenvolveu o projeto fez com que os lideres
comunitários se preparassem para caminhar com suas próprias
pernas”. Ângelo Márcio
da Silva, presidente do CIADS (Centro Integrado de Ações
de Desenvolvimento Social), ONG originada pelo Curso de Capacitação
de Gestores Comunitários que gerencia um dos bancos de preservativos. |