| O Brasil, embora seja, hoje, a 12a economia
mundial, se caracteriza por ter uma das piores distribuições
de renda do mundo. Isto, na prática, significa que os 10%
mais pobres da população brasileira dividem 0,7% da
renda, enquanto os 10% mais ricos concentram 48% dela. Além
disso, 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.
Estes números criam um contexto de pobreza e exclusão
social que trouxeram Médicos Sem Fronteiras para o Brasil.
No Brasil, o acesso à saúde é garantido pela
constituição federal, mas é limitado na prática.
Paralelamente ao trabalho junto a populações desfavorecidas,
o objetivo de MSF aqui é sensibilizar a sociedade civil brasileira
acerca das situações de extrema dificuldade enfrentadas
pelas comunidades excluídas. Esta sensibilização
se dá através dos meios de comunicação,
da organização de manifestações e, em
casos extremos, de denúncias públicas.
Médicos Sem Fronteiras atua tanto em contextos emergenciais
como epidemias, catástrofes naturais e conflitos ,
como em contextos estáveis onde a exclusão social
ocasiona o sofrimento de milhares de pessoas. Embora tenha sido
o advento de uma epidemia de cólera na Amazônia, em
1991, que trouxe MSF para o Brasil, o trabalho hoje é caracterizado
por projetos de desenvolvimento de médio prazo, dentro de
um contexto relativamente estável, porém caracterizado
pela desigualdade e pela violência cotidiana. Em 1993, motivado
pela situação de exclusão social e violência
no Rio de Janeiro, que chegava aos noticiários internacionais,
MSF envia uma equipe de profissionais para a cidade com o intuito
de investigar a situação, avaliar a necessidade de
atuação e planejar ações.
Os projetos de MSF no Brasil se caracterizam pelo desenvolvimento
de iniciativas médico-sociais, das quais a população
assistida participa ativamente. A proposta de MSF é funcionar
como um elemento catalisador de mudança social, através
de ações que garantam a sustentabilidade dos projetos.
Durante este processo, a organização procura contribuir
para que as populações atendidas se organizem, de
modo que elas mesmas possam lutar por seus direitos. Os projetos
também buscam um diálogo com representantes do poder
público, criando um canal de comunicação entre
as comunidades excluídas e os governos, para reafirmar o
compromisso do Estado em atender as necessidades dessas populações.
As atividades de Médicos Sem Fronteiras no Brasil são
financiadas, em sua maioria, com recursos de doações
de cidadãos de vários países, inclusive do
Brasil. |